A pessoa, natureza e encarnação de Jesus Cristo

A pessoa, natureza e encarnação de Jesus Cristo
Deus enviou seu filho para nos salvar
"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade."Jo 1.14
A Trindade e a Encarnação são temas que se relacionam. A doutrina da trindade declara que o homem Jesus é verdadeiramente divino; a da Encarnação declara que o divino Jesus é verdadeiramente humano. Juntas, elas proclamam a plena realidade do Salvador que o Novo Testamento apresenta, o Filho que veio da parte do Pai, pela vontade do Pai, para tornar-se o substituto do pecador sobre cruz (Mt 20.28; 26.36-46; Jo 1.29; 3.13-17; Rm 5.8; 2 Co 5.19-21; 8.9; Fp 2.5-8).
O momento decisivo sobre a doutrina da Trindade ocorreu no Concílio de Nicéia (325 d.C.), quando a igreja rejeitou a idéia ariana de que Jesus era a primeira e mais nobre criatura de Deus, e afirmou que Ele era da mesma "substância" ou essência (isto é, a mesma entidade existente) do Pai. Assim, há somente um Deus, não dois; a distinção entre Pai e Filho está dentro da unidade divina, e o Filho é Deus no mesmo sentido em que o Pai o é. Dizendo que o Filho e o Pai são "de uma substância", e que o Filho é "gerado" ("único gerado, ou unigênito", Jo 1.14,18; 3.16,18, e notas ao texto da [Bíblia] NVI), mas "não feito", o Credo Nicéia inequivocamente reconhece a deidade do homem da Galiléia.
Um evento para a confissão da doutrina da Encarnação aconteceu no Concílio de Calcedônia (451 d. C.), quando a igreja rejeitou tanto nestoriana de que Jesus era duas personalidades - o Filho de deus e um homem - sob a mesma pele, como a idéia eutiquianista de que a divindade de Jesus tinha absorvido sua humanidade. Rejeitando ambos, o concílio afirmou que Jesus é uma pessoa divino-humana em duas naturezas (isto é, dois conjuntos de capacidades para a experiência, expressão, reação e ação); e que as duas naturezas são unidas em seu ser pessoal, sem mistura, confusão, separação ou divisão; e que cada natureza retém seus próprios atributos. Em outras palavras, todas qualidades e poderes que estão em Deus, estavam, estão e sempre estarão real e distintamente presente na pessoa do homem da Gáliléia. Assim, a fórmula calcedônia afirma, em termos categóricos, a plena humanidade do Senhor (nascido pela ação divina).
A Encarnação, este milagre misterioso no coração do Cristianismo histórico, é ponto central do testemunho do Novo Testamento. È surpreendente que os judeus tenham chegado a aceitar tal crença. Oito dos nove escritores do Novo Testamento, como os discípulos originais de Jesus, eram judeus instruídos no axioma judaica de que há somente um Deus e nenhum homem é divino. Todos eles, no entanto, ensinam que Jesus é o Messias de Deus, o filho de Davi ungido pelo Espírito prometido no Velho Testamento ( por exemplo, Is 11.1-5; Christos, "Cristo", é a palavra grega para Messias). Todos eles o apresentam em um tríplice papel de mestre, portador de pecados (dos seres humanos) e governante - profeta, sacerdote e rei. E, em outras palavras, todos insistem que Jesus o Messias deve ser pessoalmente adorado e crido - o que significa dizer que Ele é Deus não menos do que é homem. Observe-se como os quatro mais habilitados teólogos do Novo Testamento (João, Paulo, o escritor de Hebreus e Pedro) falam sobre isto.
O Evangelho de João emoldura as narrativas do testemunho visual do escritor (Jo 1.14; 19.35; 21.24) com as declarações de seu prólogo (1.1-18): que Jesus é o eterno Logos (Palavra) divino, agente da Criação e fonte de toda vida e luz (vv.1-59), que de graça e verdade, naturalmente como "o unigênito de Deus" (vv. 14,18; notas de texto [da Bíblia] NVI). O evangelho é pródigo em declarações "Eu sou", que têm significado especial porque Eu sou (grego: ego eimi) foi usado para traduzir o nome de Deus na tradução grega e Êxodo 3.14; toda vez que João se refere a Jesus dizendo ego eimi, está implícita uma alegação de divindade. Exemplos disto são João 8.25,58, e as declarações de sua graça como (a) o Pão da Vida, dando alimento espiritual (Jo 6.35,48.510; (b) a Luz do Mundo, banindo a escuridão (Jo 8.12;9.5); (c) a porta das ovelhas, dando acesso a Deus (Jo 10.7,9); (d) o bom Pastor, protegendo do perigo (Jo 10.11,14); (e) a Ressurreição e a Vida, dominando nossa morte (Jo 11.25); (f) o Caminho, a Verdade e a Vida, guiando à comunhão com o Pai (14.6); (g) a Videira verdadeira, nutrindo para a fertilidade (15.1,5). Tomé, com intensa emoção, adora a Jesus como "Senhor meu e Deus meu!" (Jo 20.28). Jesus então pronuncia uma bênção sobre todos os que compartilham a fé de Tomé, e João insta seus leitores a juntarem-se a eles (Jo 20.29-31).
Paulo cita o que parece ser um hino que declara a divindade pessoal de Jesus (Fp 2.6; declara que "nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade" (Cl 2.9; cf. 1.19); aclama Jesus o Filho como a imagem doa Pai e sua agente na criação e manutenção de todas as coisas (Cl 1.15-17); declara ser Ele "Senhor" (um título de realeza, como nuanças divinas), a quem se deve rogar por salvação de acordo com a prescrição para invocar Yahweh em Joel 2.32 (Rm 10.9-13); chama-lhe "Deus sobre todos" (Rm 9.5) e "Deus e Salvador" (Tt 2.13); e faz preces diretamente a Ele (2 Co 12.8,9), olhando para Ele como fonte da graça divina (2 Co 13.13). O testemunho de Jesus é explícito: a fé na divindade de Jesus fundamental para a teologia e religião de Paulo.
O escritor da carta aos Hebreus, pretendendo expor a perfeição do sumo sacerdócio de Cristo, começa declarando a plena divindade e conseqüente e única dignidade do Filho de Deus (Hb 1.3,6,8-12), cuja plena humanidade ele então celebra no capítulo 2. A perfeição, e certamente a própria possibilidade, do sumo sacerdócio que ele assinala cumprido por Cristo depende da união de uma vida divina infindável e infalível com uma experiência huma plena de tentação, aflição e sofrimento (Hb 2.14-17; 4.14-5.2; 7.12-28; 12.2,3).
Não menos significativo é o uso que Pedro faz de Isaías 8.12,13 (1 Pe 3.14). Ele cita a versão grega (dos Setenta), estimulando as igrejas a não temerem o que ouros temem, mas a santificarem o Senhor. Onde, porém, o texto de Isaías diz "a Ele (Senhor dos Exércitos) santificai", Pedro escreve, "santificai a Cristo, como Senhor" (1 Pe 3.15). Pedro tributaria a adoração em temor devida ao Todo-Poderoso a Jesus de Nazaré, seu Mestre e Senhor.
O Novo Testamento proíbe a adoração de anjos (Cl 2.18; Ap 22.8,9), mas ordena a adoração de Jesus e focaliza consistentemente objeto próprio da fé, esperança e amor, aqui e agora. A religião a que faltam estas ênfases não é Cristianismo. Que não haja nenhum engano sobre isto!
Autor: J. I. Packer
Fonte: Teologia Concisa, pg. 98

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A Divindade de Cristo

A Divindade de Cristo
A Divindade de Cristo
Mc 2.28; Jo 1.1-14; Jo 8.58; Jo 20.28; Rm 9.5; Fp 2.9-11; Cl 1.19; 1 Jo 5.20
"E sabemos que já o Filho de Deus é vindo, e nos deu entendimento para conhecermos o que é verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna." (1 Jo 5.20)
Para ser cristão, é indispensável ter fé na divindade de Cristo. Esta é uma parte essencial do Evangelho de Cristo no Novo Testamento. Mesmo assim, em todos os séculos, a Igreja tem sido obrigada a lidar com pessoas que alegam ser cristãs e ao mesmo tempo negam ou distorcem a divindade de Cristo.
Na história da Igreja houve quatro séculos durantes os quais a confissão da divindade de Cristo foi uma questão crucial e polêmica dentro da Igreja. Foram os séculos IV, V, XIX e XX. Visto estarmos vivendo num século em que as heresias estão assaltando a Igreja, urge que a confissão da divindade de Cristo seja resguardada.
No Concílio de Nicéia, no ano 325 d.C., a igreja, em oposição à heresias Ariana, declarou que Jesus é gerado e não criado, e que sua natureza divina é da mesma essência (homo ousios) que a do Pai. Essa afirmação declarou que a segunda pessoa da Trindade é uma em essência com Deus o Pai. Quer dizer, o "ser" de Cristo é o ser de Deus. Ele não é simplesmente à Deidade - ele é a Deidade.
A confissão da divindade de Cristo é extraída do testemunho multiforme do Novo Testamento. Como o Verbo Encarnado, Cristo é revelado como sendo não só preexistente em relação à criação, mas também eterno. A Bíblia diz que ele estava no princípio com Deus e também que ele é Deus (Jo 1.1-3). O fato de ele estar com Deus exige uma distinção pessoal na Deidade. O fato de ser Deus exige sua inclusão na Deidade.
Em outros textos, o Novo Testamento atribui a Jesus termos e títulos claramente divinos. Deus concedeu-lhe o preeminente título de Senhor (Fp 2.9-11). Como o Filho do Homem, Jesus reivindica ser Senhor do sábado (Mc 2.28) e ter autoridade para perdoar pecados (Mc 2.1-12). Ele é chamado o "Senhor da glória" (Tg 2.1) e recebeu adoração de bom grado, quando Tomé confessou: "Senhor meu e Deus meu!" (Jo 20.28).
Paulo declara que a plenitude da Deidade habita em Cristo corporalmente (Cl 1.19), e que Jesus é superior aos anjos,, tema este reiterado no livro de Hebreus. Adorar um anjo, ou qualquer criatura, não importa quão exaltada ela seja, é violar a proibição bíblica contra a idolatria. A expressão "Eu sou" repetida no Evangelho de João também testifica sobre a identificação de Jesus Cristo com a Deidade.
No Século V, o Concílio de Calcedônia (451 d.C.) afirmou que Jesus era verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus. O concílio declarou que as duas natureza de Jesus humana e divina, eram sem mistura, confusão, separação ou divisão.
SUMÁRIO
1. A divindade de Cristo é uma doutrina essencial do cristianismo.
2. A Igreja enfrentou crise causadas por heresias concernentes à divindade de Cristo nos séculos IV. V, XIX e XX.
3. O Concílio de Nicéia (325 d.C.) afirmou a divindade de Cristo, declarando que ele é da mesma substância ou essência que o Pai, q que ele não era um ser criado.
4. O Novo Testamento afirma claramente a divindade de Cristo.
5. O Concílio de Calcedônia (451 d.C.) declarou que Jesus era verdadeiramente Deus.
Autor: R. C. Sproul
Fonte: 1º Caderno Verdades Essenciais da Fé Cristã – R.C.Sproul.

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A Humanidade de Cristo

A Humanidade de Cristo
Jo 1.1-14; Gl 4.4; Fp 2.5-11; Hb 2.14-18; Hb 4.15
"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós" Jo 1.14a
Uma das doutrinas mais vitais do Cristianismo histórico é que o Deus Filho tomou uma verdadeira natureza humana. O grande Concílio de Calcedônia, no ano 451 da era cristã, afirmou que Jesus é verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus, e que suas duas naturezas são assim unidas, sem mistura, confusão, separação ou divisão, cada natureza retendo seus próprios atributos.
A humanidade de Jesus tem sido atacada principalmente em dois aspectos. A igreja primitiva teve de lutar contra a heresia do docetismo, a qual ensinava que Jesus não tinha um corpo físico real ou uma verdadeira natureza humana. Essa doutrina argumentava que Jesus apenas "parecia" ter um corpo, mas na realidade ele era uma espécie de ser fantasmagórico. Justamente contra isso, João declarou veementemente que aquele que negasse que Jesus realmente se manifestou na carne era do Anticristo.
A outra grande heresia que a Igreja rejeitou foi a heresia do monofisismo, a qual argumentava que Jesus não tinha duas natureza, mas apenas uma. Essa natureza única não era totalmente divina nem totalmente humana, mas um misto de ambas. Essa natureza era chamada "teantrópica". A heresia do monofisismo defende uma natureza deificada ou uma natureza divina humanizada.
Formas sutis de monofisismo têm ameaçado a Igreja em todas as gerações. A tendência segue na direção de permitir que a natureza humana seja engolfada pela natureza divina de tal maneira que as limitações reais da humanidade de Jesus são removidas.
Temos de distinguir entre as duas naturezas de Jesus sem separá-las. Quando Jesus demonstra fome, por exemplo, vemos isso como uma manifestação da natureza humana, não da divina. O que se diz sobre a natureza divina ou da natureza humana pode ser afirmado com relação à pessoa. Na cruz, por exemplo, Cristo, o Deus-homem, morreu. Isso, entretanto, não que dizer que Deus morreu na cruz. Embora as duas naturezas permanecessem unidas depois da ascensão de Cristo, ainda temos de distinguir as naturezas, considerando o modo como ele está presente conosco. Entretanto, em sua natureza divina Cristo nunca está ausente de nós.
A humanidade de Cristo é como a nossa. Ele tornou-se homem "por nossa causa", Ele entrou em nossa situação para agir como nosso Redentor. Tornou-se nosso substituto, tomando sobre si nossos pecados, a fim de sofrer em nosso lugar. Ele também tornou-se nosso campeão, cumprindo a Lei de Deus em nosso favor.
Na redenção, existe uma dupla mudança. Nossos pecados são atribuídos a Jesus. Sua justiça é atribuída a nós. Ele recebe o castigo merecido pela nossa humanidade imperfeita, enquanto nós recebemos a bênção devida à sua humanidade perfeita. Em sua humanidade, Jesus tinha as mesmas limitações comuns a todos os seres humanos, exceto que ele era sem pecado. Em sua natureza humana, ele não era onisciente. Seu conhecimento, embora fosse acurado e exato, não era infinito. Havia coisas que ele não sabia, como por exemplo, o dia e a hora de sua volta à Terra (). É claro que em sua natureza divina ele é onisciente e sua conhecimento é ilimitado.
Como ser humano, Jesus estava restrito pelo tempo e espaço.Como todo ser humano, ele não podia estar em mais de um lugar ao mesmo tempo. Ele suava. Sentia fome. Chorava. Sofria dores. Ele era mortal, capaz de sofre a morte. Em todos esses aspectos era como nós.
Sumário
1. Jesus tinha uma verdadeira natureza que estava perfeitamente unida à sua natureza divina.
2. O docetismo dizia que Jesus não tinha um corpo físico real.
3. A heresia do monofisismo envolve a deificação da natureza humana, de modo que a humanidade de Jesus é eclipsada pela sua divindade.
4. A humanidade de Cristo é a base de sua identificação conosco;
5. Jesus tomou nossos pecados sobre si e partilha conosco sua justiça.
6. A natureza humana de Jesus tinha as limitações normais do ser humano, exceto que ele era sem pecado.
Autor: R. C. Sproul
Fonte: 1º Caderno Verdades Essenciais da Fé Cristã – R.C.Sproul.

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As Duas Naturezas de Cristo

As Duas Naturezas de Cristo
Jesus Cristo é inteiramente Humano
"Porque já muitos enganadores entraram no mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em carne. Este tal é o enganador e o anticristo." 2 Jo 7
Jesus foi um homem que convenceu os que estavam próximo dele de que Ele era também Deus; portanto, sua condição humana não está em dúvida. A condenação de João daqueles que negavam que "Jesus Cristo veio em carne" (1 Jo 4.2,3; 2 Jo 7) visava aos docetas(*), que substituíram a Encarnação pela idéia de que Jesus foi um visitante sobrenatural (não Deus), que parcialmente humano, mas era realmente uma espécie de fantasma, um mestre que, na realidade, não morre pelos pecados.
Os evangelhos mostram Jesus experimentando as limitações humanas (fome, Mt 4.2; cansaço, Jo 4.6; ignorância de um fato, Lc 8.45-47) e sofrimento humano (choro junto ao túmulo de Lazaro, Jo 11.35,38; agonia no Getsêmani, Mc 14.32-42; cf. 12.50; Hb 5.7-10; e sofrimento na cruz). Hebreus enfatiza que, se Ele não tivesse experimentado as aflições humanas - fraqueza, tentação, sofrimento - Ele não estaria qualificado para ajudar-nos quando passarmos por essas coisas (Hb 2.17,18; 4.15,16; 2.7-9). Nesta circunstâncias, sua experiência humana é de modo a garantir que, em qualquer momento de pretensão ou premência em nossa relação e caminhada com Deus, podemos ir a Ele confiantes de que de alguma maneira Ele esteve lá antes de nós sendo assim ajudador de que necessitamos.
Os cristãos, focalizando a divindade de Jesus, têm as vezes pensado que minimizar sua humanidade é honrá-lo. A primitiva heresia do monofisismo ( a idéia de que Jesus tinha somente uma natureza) expressava esta suposição, como fazem as modernas deduções de que Ele apenas fingiu ser ignorante de fatos (na suposição de que Ele utilizava sua onisciência e, portanto, estava ciente de todas as coisas, e estar com fome e cansado (na suposição de que sua divindade sobrenaturalmente nutria de forças sua humanidade todos tempo, colocando-o acima das demandas da existência comum).. Mas a Encarnação significa, antes, que o Filho de Deus viveu sua vida divino-humana em e através de sua mente e corpo humanos em todos os aspectos, maximizando sua identificação e empatia com aqueles que Ele viera salvar, e lançando mão dos recursos divinos para transcender os limites humanos de conhecimento e energia somente quando exigência particulares da vontades do Pai assim o requeresse.
A idéia de que as duas naturezas de Jesus eram como circuitos elétricos alternados, de sorte que algumas vezes Ele agia em sua humanidade e algumas vezes em sua divindade, e é também equivocada. Ele realizou e suportou todas as coisas, incluindo seus sofrimentos na cruz, na unidade de sua pessoa divino-humana (isto é, como Filho de Deus que sabia tomado para si todos os poderes humanos de agir, reagir e experimentar, em sua forma não decaída). Dizer isto não contradiz a impecabilidade divina, pois impassibilidade não significa que Deus nunca experimentou angústia, mas que o que ele experimentou, angústia inclusive, é experimentado por sua própria vontade e por sua própria decisão predeterminada.
Jesus, sendo divino, era impecável (não podia pecar), mas isto não quer dizer que Ele não podia ser tentado. Satanás tentou-o a desobedecer ao Pai por autogratificação, autoexibição e autoglorificação (Mt 4.1-11), e a tentação para recuar da cruz foi constante (Lc 22.28; Mt 16.23; e a oração de Jesus no Getsêmani). Sendo humano não podia vencer a tentação sem luta, mas, sendo divino, era sua natureza fazer a vontade do Pai (Jo 5.19,30) e, portanto, resistir e lutar contra a tentação até vencê-la. Do Getsêmani podemos inferir que suas lutas foram bem mais agudas e agônicas do que qualquer outra que possamos imaginar. O final feliz resultante é que "naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados" (Hb 2.18)
* Partidários do docentismo, doutrina gnótica do segundo século desta era.
Autor: J. I. Packer
Fonte: Teologia Concisa, pg. 102

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O Porque das duas Naturezas de Cristo

A necessidade das duas naturezas de Cristo decorre daquilo que é essencial à doutrina escriturística da expiação.
Necessidade da Humanidade de Cristo.
Desde que o homem pecou, era necessário que o homem sofresse a penalidade. Além disso, o pagamento da pena envolvia sofrimento de corpo e alma, sofrimento somente cabível ao homem, Jo 12.27; At 3.18; Hb 2.14; 9.22. Era necessário que Cristo assumisse a natureza humana, não somente com todas as suas propriedades essenciais, mas também com todas as debilidades a que está sujeita, depois da Queda, e, assim devia descer às profundezas da degradação em que o homem tinha caído, Hb 2.17,18. Ao mesmo tempo, era preciso que fosse um homem sem pecado, pois um homem que fosse, ele próprio, pecador e que estivesse privado da sua própria vida, certamente não poderia fazer expiação por outros, Hb 7.26.
Unicamente um Mediador verdadeiramente humano assim, que tivesse conhecimento experimental das misérias da humanidade e se mantivesse acima de todas as tentações, poderia entrar empaticamente em todas as experiências, provações e tentações do homem, Hb 2.17,18; 4.15-5.2; e ser um perfeito exemplo humano para os Seus seguidores, Mt 11.29; Mc 10.39; Jo 13.13-15; Fp 2.5-8; Hb 12.2-4; 1 Pe 2.21.
Necessidade da Divindade de Cristo
No plano divino de salvação era absolutamente essencial que o Mediador fosse verdadeiramente Deus. Era necessário que (1) Ele pudesse apresentar um Sacrifício de valor infinito e prestar perfeita obediência à lei de Deus; (2) Ele pudesse sofrer a ira de Deus redentoramente, isto é, para livrar outros da maldição da lei; e (3) Ele pudesse aplicar os frutos da sua obra consumada aos que o aceitassem pela fé.
O homem, com a sua vida arruinada, não pode nem cumprir a pena do pecado, nem prestar perfeita obediência a Deus. Ele pode sofrer a ira de Deus e, exceto pela graça redentora de Deus, terá que sofrê-la eternamente, mas não pode sofrê-la de molde a abrir um caminho de livramento, al 49.7-10; 130.3.
Autor: Louis Berkhof
Fonte: Teologia Sistemática, pág 318,319; Ed LPC

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A necessidade das Duas Naturezas de Cristo

A necessidade das Duas Naturezas de Cristo e Sua Unipersonalidade
A realidade das duas naturezas de Cristo é bem firmada na Bíblia. Ele é plenamente homem e plenamente Deus. Por natureza, entendemos os elementos essenciais para que uma coisa seja o que é (a concreta substância de uma espécie); dessa forma, quando falamos em natureza humana, referimo-nos a um corpo mortal e uma alma (= espírito) imortal, os quais a constituem.

Estudemos agora algumas questões levantadas na história, ainda debatidas, que devem despertar nosso interesse. Eis algumas:
1.
Por que era necessário que o Redentor fosse Deus?
2.
Por que era necessário que ele fosse humano?
3.
Qual a relação existente entre as duas naturezas de Cristo?
Essas questões não são vã especulação. O objetivo é conhecer melhor o Senhor Jesus Cristo (2Pe 3: 18). É necessário entender, antes de tudo, que esse assunto tem seus mistérios, os quais pertencem a Deus. Todavia, é importante notar que a Bíblia apresenta a realidade da encarnação. Por isso, temos o dever de estudá-la, visto que o que Deus revelou em sua Palavra pertence a nós, para estudo e prática (Dt 29:29). Atentemos para a recomendação de Agostinho: "Ignoremos de boa mente aquilo que Deus não quis que soubéssemos".
[1] Em suma, resumindo nossa postura: devemos nos limitar à Palavra, para que não façamos afirmações que a Bíblia desconhece.
A necessidade da divindade
Resumidamente, a divindade do Redentor era necessária para:
1. Cumprir perfeitamente a lei. É impossível a qualquer homem cumprir totalmente a lei de Deus (Rm 7:14-25).
2. Revelar Deus e sua salvação aos homens. Em Cristo conhecemos o Pai e temos a salvação eterna (Mt 11:27;Jo 1:18; 14:11-18/ 1 Co 2:9-11).
3. Derrotar definitivamente Satanás, tirando de seu domínio os pecadores escravizados (Hb 2:14-15; Jo 12:31; 16:111Jo 14:30).
4. Suportar o peso da culpa do pecado de seu povo, bem como a ira de Deus que cairia sobre ele como representante dos eleitos, libertando, assim, os seus da maldição decorrente do não comprimento da lei (Is 53:1-12; Mt 27:46; 013:10-13).
5. Constituir um caminho perfeito e imaculado, conduzindo o homem a Deus. Essa obra nenhum dos filhos de Adão poderia fazer, nem mesmo um anjo (Jo. 14:6; lTm 2:5; lPe 3:18).
6. Apresentar-se como sacrifício perfeito e aplicasse de forma eterna seus méritos ao seu povo eleito (Hb 7:3,24-28; 9:24-25).
A necessidade da humanidade

Sumariando, a humanidade de Cristo era necessária para:
1. Exemplificar a perfeita humanidade aos discípulos (Mt 11 :29; Jo 13:13-15; Rm 8:29; Fp 2:5-8; Hb 12:2-4; lPe 2:21; 1]02:6).
2. Cumprir o propósito de Deus para o homem em relação à sua criação. O homem, ao pecar, perdeu o domínio sobre a criação; Jesus Cristo demonstra em sua vida o domínio sobre ela (Ef 1 :22; Hb 2:8-9).
3. Representar genuinamente seu povo como o segundo Adão, por meio de quem Deus trata com os eleitos, tornando-se o único mediador entre Deus e os homens (Rm 5:15-19; lCo 15:21-23, 46-49; lTm 2:5). Se Jesus veio salvar os homens, teria de se tornar homem, não anjo.
4. Estar sob a Lei, a fim de poder cumpri-Ia pelo seu povo (Gl 4:4-5).
5. Arcar moral, física e espiritualmente com as conseqüências do pecado de seu povo. O pecado trouxe graves prejuízos sobre essas três áreas. Ele tinha de ser homem sem pecado para que pudesse apresentar-se a si mesmo como oferta santa e imaculada (Hb 7:26-27; 9:14) e morrer pelos pecadores eleitos, visto que somente a carne pode morrer (IPe 1:18-20).
6. Para simpatizar com os seus, já que estaria sujeito às mesmas tentações (Hb 2:16-18; 4:15-16).
7. "Para ser o padrão de nosso corpo redimido."
[2] A ressurreição de Cristo revela o padrão do nosso corpo redimido para todo
o sempre (ICo 15:21-23; 42-44; Cll:18).
A necessidade das duas naturezas numa só pessoa
Era necessário que Jesus fosse homem para que levasse sobre si a culpa do pecado, cumprindo o aspecto condenatório da lei. Ao mesmo tempo, era necessário que fosse Deus, para poder cumpri-Ia, suportando a justa ira de Deus, conferindo um valor eterno ao seu sacrifício (Hb 9:23-28). João Calvino escreveu:
“Visto, então, que Deus por Si só não poderia provar a morte, e que o homem por si só não poderia vencê-Ia, Ele tomou sobre Si a natureza humana em união com a natureza divina, para que sujeitasse a fraqueza daquela a uma morte expiatória, e que pudesse, pelo poder da natureza divina, entrar em luta com a morte e ganhar para nós a vitória sobre ela.”
[3]
A Unipersonalidade de Cristo
A visão dos escritores do Novo Testamento
Os escritores do Novo Testamento em nenhum momento demonstraram preocupação com as implicações metafísicas (transcendentes) concernentes à pessoa de Cristo. Quando falam de Jesus, fazem-no preocupados em demonstrar que a divindade e a humanidade dele são verdades que se constituem em condição básica e essencial para a obra expiatória que ele efetuou (Rm 8:3; Fp 2:6-11; cf. tb. Jo 1: 18; Cll:13-22; Hb 1 e 2; 4:4-5:10; 7:1-10:18; lJo 1:1-2:2).
Todavia, já na metade do primeiro século da era cristã, surgiram alguns homens dispostos a negar a verdadeira humanidade de Cristo, contra os quais João escreveu veementemente (cf. Jo 1:14; 4:1-6).
A posição bíblico-reformada
Dois concílios fundamentais definiram a questão das duas naturezas de Cristo: o de Nicéia, reunido em 325, e o de Calcedônia - o mais importante -, reunido de 8 a 31 de outubro de 451, com a presença de mais de 500 bispos e outros delegados. Calcedônia ratificou o credo de Nicéia e o de Constantinopla (381). O objetivo era estabelecer a unidade teológica na Igreja. Rejeitou-se o nestorianismo (duas pessoas e duas naturezas) e o eutiquianismo (uma pessoa e uma natureza), afirmando que Jesus é uma pessoa, sendo verdadeiro Deus e verdadeiro homem (uma pessoa e duas naturezas). "... Calcedônia pronunciou-se não só contra a separação como contra a fusão"
[4] das duas naturezas de Cristo. Todavia, a noção de mistério esteve presente nessa confissão, pois não se tentou explicar o que as Escrituras não esclareciam.
Berkhof (1873-1957) resume as "mais importantes implicações" da declaração teológica de Calcedônia:
[5]
1. As propriedades de ambas as naturezas podem ser atribuídas a uma só pessoa, e.g., onisciência e conhecimento limitado.
2. Os sofrimentos do Deus-homem podem ser reputados como real e verdadeiramente infinitos, ao mesmo tempo que a natureza divina não é passível de sofrimento.
3. É a divindade, e não a humanidade, que constitui a raiz e a base da personalidade de Cristo.
4. O Logos não se uniu a um indivíduo distinto, mas à natureza humana. Não houve primeiro um homem já existente com quem a segunda pessoa da Deidade se teria associado. A união foi efetuada com a substância da humanidade no ventre da virgem.
Um decreto ou uma declaração teológica, por mais relevante que seja, não põe fim imediatamente a um sistema. A ortodoxia, por sua vez, não é criada através de pronunciamentos oficiais, embora saibamos que sejam necessários e relevantes para nortear a Igreja. Assim, do mesmo modo que Nicéia não colocou um ponto final na questão trinitária, Calcedônia não determinou o fim dos problemas cristológicos; as heresias permaneceram em diversas regiões, especialmente na Igreja Oriental. Contudo, Calcedônia foi decisivo na vida da Igreja, estabelecendo uma compreensão cristológica que, se não é a final, é a que pôde ser alcançada, pelo Espírito, dentro da revelação. No entanto, a Palavra é a fonte da genuína teologia; portanto, se Calcedônia estabeleceu balizas, devemos permanecer sempre atentos à Palavra de Deus, à luz da qual nós e nossa teologia seremos julgados.
Ainda que os reformadores do século XVI tenham aceitado a decisão de Calcedônia, houve uma diferença entre eles quanto a alguns detalhes que não eram de somenos importância, mas que escapam em muito ao escopo deste livro. Calvino foi o reformador que mais de perto seguiu o pronunciamento de Calcedônia.
Se é possível encontrar alguma coisa que se assemelhe ao mistério da encarnação, a comparação com o homem é sempre apropriada. O que vemos é que o ser humano é composto de duas naturezas, sendo, porém, que uma não se mistura com a outra, cada qual retendo a sua propriedade, porque a alma não é corpo, e o corpo não é alma. Claro está que o que particularmente se diz da alma não se pode convenientemente dizer do corpo, e, paralelamente, o que se diz do corpo não pode ser dito com propriedade da alma; quanto ao homem, dele não se pode dizer o que é próprio do corpo ou da alma, separadamente dele. Finalmente, as coisas que em particular são pertencentes à alma são transmitidas ao corpo, e as do corpo à alma, reciprocamente. Entretanto, a pessoa assim composta dessas duas substâncias é um só homem, e não muitos. Tal maneira de falar significa que há no homem uma natureza composta de duas unidades, e que, todavia, há diferença entre ambas. A Bíblia fala dessa forma de Jesus Cristo. Algumas vezes lhe atribui o que só pode ser reportado à humanidade; outras, o que pertence especificamente à divindade; outras ainda, o que se aplica conjuntamente às duas naturezas unidas, e não somente a uma delas. E até exprime tão diligentemente a união das duas naturezas em Cristo, que comunica a uma o que pertence à outra - maneira de falar à qual os antigos doutores davam o nome de comunicação de propriedades.
[6]
As confissões reformadas também seguiram a mesma interpretação de Calcedônia, apresentando obviamente novas contribuições que esclareciam certas questões da época.
[7] A Confissão de Westminster (1647), a mais madura confissão reformada, declara no capítulo VIII.2:
o Filho de Deus [...], sendo verdadeiro e eterno Deus, da mesma substância do Pai e igual a Ele, quando chegou o cumprimento do tempo, tomou sobre si a natureza humana com todas as suas propriedades essenciais e enfermidades comuns, contudo sem pecado, sendo concebido pelo poder do Espírito Santo no ventre da Virgem Maria, e da substância dela. As duas naturezas, inteiras, perfeitas e distintas - a Divindade e a Humanidade - foram inseparavelmente unidas em uma só pessoa, sem conversão, composição ou confusão; essa pessoa é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, porém um só Cristo, o único Mediador entre Deus e o homem.
Do mesmo modo, o Catecismo menor (1647), ao responder à pergunta "Quem é o Redentor dos eleitos de Deus?" (nO 21), afirma:
o único Redentor dos eleitos de Deus é o Senhor Jesus Cristo, que, sendo o eterno Filho de Deus, se fez homem, e assim foi e continua a ser Deus e homem em duas naturezas distintas, e uma só pessoa, para sempre.
E à pergunta "Como Cristo, sendo o Filho de Deus, se fez homem?" (n° 22),
a resposta foi:
Cristo, o Filho de Deus, fez-se homem tomando um verdadeiro corpo e uma alma racional, sendo concebido pelo poder do Espírito Santo no ventre da virgem Maria, e nascido dela, mas sem pecado.
O significado da unipersonalidade de Cristo
Com esse nome, queremos dizer que Jesus Cristo, mesmo tendo duas naturezas, possuía apenas uma personalidade, a qual reunia perfeitamente suas duas naturezas sem haver fragmentação no seu comportamento. Ele sempre agiu como Deus-homem. "O que importa é sustentar que todos e quaisquer atos de Cristo são atos da única Pessoa do Verbo encarnado: mesmo na sangrenta paixão e na morte é ilícito separar a natureza humana da Divina."
Evidências da unipersonalidade de Cristo
1. Jesus Cristo fala de si mesmo como uma única pessoa; não
havendo o intercâmbio entre um "eu" e um "tu" entre as duas
naturezas 00 17:1,4-5,22-23).
2. Os pronomes pessoais atribuídos a ele são sempre referentes a
uma pessoa.
3. Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, não havendo preponderância do divino sobre o humano ou vice-versa. Não podemos falar biblicamente - como muitas vezes somos tentados a pensar - em Jesus agindo, pensando e falando como homem em alguns textos, e em outros como Deus. Jesus é o Verbo de Deus encarnado que vive, sofre, morre e ressuscita como tal. Ele não tem personalidade fragmentada, sendo em alguns momentos Deus, e em outros, homem. Por isso, os atributos da sua divindade, bem como de sua humanidade, são atribuídos a uma só pessoa: mãe do Senhor (Lc 1:43), nasceu o Senhor (Lc 2:11), o Filho do homem está aqui e no céu (Jo. 3:13; cf. Jo 1:18; 6:62), mataram o autor da vida (At 3:15), sangue de Deus (At 20:28), Cristo, Deus bendito (Rm 9:5), crucificaram o Senhor da glória (1 Co 2:8), o Filho foi enviado para nascer (014:4), o Filho é herdeiro de todas as coisas (Hb 1:1-2), ele é a imagem do Deus invisível (Cl1: 13-20) e em Cristo habita a plenitude da divindade (C12:8-9). (Leia também: Mt 1:21; Lc 1:31-33; Fp 2:6-11 etc.)
4 . Todos os que se referiam a Jesus Cristo faziam menção de apenas uma só pessoa (Mt 16:16; 1)04:2).
A teologia reformada subscreve estas declarações de Calvino: "A mente piedosa [...] contempla somente o Deus único e verdadeiro, nem lhe atribui o que quer que à imaginação haja acudido, mas se contenta com tê.-Lo tal qual Ele próprio Se manifesta...",
[8]
Autor: Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa
Fonte: Fundamentos da teologia reformada, pg. 63-70

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A pessoa de Cristo em "Quadros" Pré-Encarnação e Natureza Divina

A pessoa de Cristo em "Quadros"
H. Wayne HouseTeologia Cristã em Quadros, p. 67, Ed Vida
Pré-Encarnação
Existiu Eternamente Antes da Criação
Desde o “o principio” ( Jo 1.1; 1 Jo 1.1)
“Com Deus” (Jo 1.1-2)
“Antes que houvesse mundo” (Jo 17.5)
O Verbo “se fez carne” (implica em uma existência pré-encarnada, Jo 1.14)
Participou da Criação
“Façamos o homem” ( Gn 1.26)
O “arquiteto” (Pv 8.30)
O “primogênito de toda a criação” (Cl 1.15)
Todas as coisas foram criadas “por meio dele” (Jo 1.3; Cl 1.16)
O mundo foi criado “por intermédio dele” (Jo 1.10; 1 Co 8.6)
Todas as coisas foram criadas “para ele” (Cl 1.16)
Tudo subsiste “nele” (Cl 1.17)
Manifestou-se Após a Criação
(Antigo Testamento)Como “YHVH” (Iavé)
A Abraão (Gn 18)
Em julgamento (Gn 19)
Em promessa (Os 1.7)
Como o “Anjo de YHWH (Iavé)”
A Hagar (Gn 16)
A Abraão (Gn 22)
A Jacó (Gn 31)
A Moisés (Êx 3.2)
A Israel (Êx 14.19)
A Balaão (Nm 22.22)
A Gedeão (Jz 6)
Natureza Divina
Possui Atributos Divinos
Ele é eterno (Jo 1.1; 8.58;17.5)
Ele é Onipresente ( Mt 28.20;Ef 1.23)
Ele é Onisciente (Jo 16.30; 21.17)
Ele é Onipotente (Jo 5.19)
Ele é Imutável ( Hb 1.12;13.8)
Possui Ofícios Divinos
Ele é criador (Jo 1.3; Cl 1.16)
Ele é sustentador (Cl 1.17)
Possui Prerrogativas Divinas
Perdoa nossos pecados ( Mt 9.2, Lc 7.47)
Ressuscita os mortos (Jo5.25; 11.25)
Executa julgamento (Jo 5.22)
Ele é identificado como Iavé
do Antigo Testamento“EU SOU” (Jo 8.58)
Visto por Isaias (Jo 12.41; 8.24; 50-58)
Possui nomes Divinos
“Alfa e Omega” ( Ap 22.13)
“EU SOU” (Jo 8.58)
“Emanuel” ( Mt 1.22)
“Filho do Homem” ( Mt (9.6; 12.8)
“Senhor” (Mt 7.21; Lc 1.43)
“Filho de Deus” (Jo 10.36)
“Deus” (Jo 1.1; 2 Pe 1.1)
Possui Relações Divinas
E a Imagem Expressa de Deus(Cl 1.15;Hb 1.3).
Ele é um com o Pai ( Jo 10.31).
Aceita Adoração Divina
(Mt 14.33;28.9;Jo 20.28-29).
Reivindica ser Deus
(Jo 8.58;10.30;17.5)
Natureza Humana
Teve um Nascimento Humano
Nasceu de uma virgem (Mt .1.18-2.11; Lc 1.30-38)

Teve um Desenvolvimento Humano
Continuou a crescer e a fortalecer-se (Lc 2.50,52)

Teve os Elementos Essenciais da Humana
Corpo humano (Mt 26.12; Jo 2.21)
Razão e vontade (Mt 26.38; Mc 2.8)

Teve Nomes Humanos
Jesus (Mt 1.21)
Filho do Homem (Mt 8.20; 11.18)
Filho de Abraão (Mt 1.1)

Teve as Limitações da Natureza Humana,sem pecado,
Ficou cansado (Jo 4.6)
Sentiu fome (Mt 4.2; 21.18)
Sentiu sede (Jo 19.28)
Foi tentado (Mt 4; Hb 2.18)

Foi Muitas Vezes Chamado de Homem
( Jo 1.30; 4.9; 10.38)
Caráter
Absolutamente Santo
A sua natureza humana foi criada santa (Lc 1.35)
Ele não cometeu pecado (1 Pe 2.22).
Ele sempre agradou o Pai (Jo 8.29)
Possui Amor Genuíno
Ele entregou a sua vida (Jo 15.13)
O seu amor ultrapassa todo o conhecimento.
Verdadeiramente Humilde
Ele tomou a forma de servo (Fp 2.5-8).
Inteiramente Manso
(Mt 11.29)
Perfeitamente Equilibrado
Ele foi sério sem ser melancólico.
Ele foi alegre sem ser frívolo.

Teve uma vida de Oração
(Mt 14.23; Lc 6.12)
Trabalhador IncansávelRealizou as obras do seu Pai
(Jo 5.17; 9.4).
União das Naturezas
Teantrópica
A pessoa de Cristo é teantrópica; ele tem duas naturezas (divina e humana em uma só pessoa).

Pessoal
União hipostática, constituindo uma só substância pessoal; duas naturezas uma pessoa.

Inclui Qualidades e Atos Humanos e DivinosTanto
as qualidades e os atos divinos quanto humanos podem ser atribuídos a Jesus Cristo sob qualquer uma de suas naturezas.

Presença Constante Tanto da Humanidade Quanto da Divindade
As suas naturezas não podem ser separadas.

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A pessoa de Cristo

A pessoa de Cristo
Como Jesus pode ser plenamente Deus e plenamente homem, sendo, todavia, uma só pessoa?
NOTA: AT=Antigo Testamento; NT=Novo Testamento
1. EXPLICAÇÃO E BASE BÍBLICA
Podemos resumir o ensino bíblico a respeito da pessoa de Cristo da seguinte maneira: Jesus Cristo era plenamente Deus e plenamente homem em uma só pessoa, e assim será para sempre.O material escriturístico que dá suporte a essa definição é muito extenso. Discutiremos primeiro a humanidade de Cristo e depois sua divindade, e então tentaremos mostrar como a divindade e a humanidade de Jesus estão unidas em uma só pessoa.
A. A humanidade de Cristo
1. Nascimento virginal. Quando falamos da humanidade de Cristo, convém começar pela consideração sobre o nascimento virginal de Cristo. A Escritura assevera claramente que Jesus foi concebido no ventre de sua mãe, Maria, por uma obra miraculosa do Espírito Santo, sem pai humano.
“foi assim o nascimento de Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, mas, antes que se unissem, achou-se grávida pelo Espírito Santo” (Mt 1.18). Logo em seguida o anjo do Senhor disse a José, que era comprometido com Maria: “José, filho de Davi, não tema receber Maria como sua esposa, pois o que nela foi gerado procede do Espírito Santo” (Mt 1.20). Então, lemos: “Ao acordar, José fez o que o anjo do Senhor lhe tinha ordenado e recebeu Maria como sua esposa. Mas não teve relações com ela enquanto ela não deu à luz um filho. E ele lhe pôs o nome de Jesus” (Mt 1.24,25).O mesmo fato é afirmado no evangelho de Lucas, onde lemos a respeito da aparição do anjo Gabriel a Maria. Após o anjo ter-lhe dito que ela teria um filho, Maria disse: “Como acontecerá isso, se sou virgem?” O anjo respondeu: “O Espírito Santo virá sobre você, e o poder do Altíssimo a cobrirá com a sua sombra. Assim, aquele que há de nascer será chamado Santo, Filho de Deus” (Lc 1. 34,35; cf. 3.23).
Só essa afirmação da Escritura sobre o nascimento virginal de Cristo já nos dá a autorização suficiente para abraçar essa doutrina. Contudo, há também algumas implicações doutrinárias cruciais do nascimento virginal que ilustram sua importância. Podemos vê-las ao menos em três áreas:
a. Ela mostra que em última instância a salvação vem do Senhor, O nascimento virginal de Cristo é o lembrete inconfundível do fato de que a salvação não pode nunca vir por intermédio do esforço humano, mas deve ser obra sobrenatural de Deus. Esse fato estava evidente já no começo da vida de Jesus: ‘Mas, quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo da Lei [...] para que recebêssemos a adoção de filhos” (Gl 4.4,5).
b. O nascimento virginal tornou possível a união da plena divindade com a plena humanidade em uma só pessoa. Esse foi o meio que Deus usou para enviar seu Filho (Jo 3.16; Gl 4.4) ao mundo como homem. Se pensarmos por um momento em outros modos possíveis pelos quais Cristo poderia ter vindo ao mundo, nenhum deles seria claramente a união entre divindade e humanidade em uma pessoa. Provavelmente teria sido possível Deus criar Jesus como ser humano completo no céu e enviá-lo do céu para a terra sem o concurso de qualquer progenitor humano. Mas assim seria muito difícil vermos como Jesus poderia ser plenamente humano como nós somos. Por outro lado, provavelmente também teria sido possível Deus enviar Jesus ao mundo com dois pais humanos, tanto o pai como a mãe, e fazer unir miraculosamente sua plena natureza divina à natureza humana em algum ponto, bem no começo de sua vida. Mas assim seria difícil entendermos como Jesus poderia ser plenamente Deus, já que sua origem seria igual a nossa em cada detalhe. Quando pensamos nessas duas outras possibilidades, isso nos ajuda a entender como Deus, em sua sabedoria, ordenou a combinação da influência humana e divina no nascimento de Cristo, de forma que sua plena humanidade seria evidente a partir de seu nascimento humano comum procedente de uma mãe humana, e a sua plena divindade seria evidente a partir do fato de sua concepção no ventre de Maria pela obra poderosa do Espírito Santo.
c. O nascimento virginal também torna possível a verdadeira humanidade de Cristo sem o pecado herdado. Como já observamos no capítulo 14, todos os seres humanos herdaram do primeiro pai, Adão, a culpa legal e a corrupção da natureza moral. Mas o fato de que Jesus não teve um pai humano significa que a linha de descendência de Adão é parcialmente interrompida. Jesus não descendeu de Adão exatamente da mesma forma que quaisquer outros seres humanos descenderam de Adão. Isso nos ajuda a entender por que a culpa legal e a corrupção moral que pertencem a todos os outros seres humanos não pertencem a Cristo.
Mas por que Jesus não herdou a natureza pecaminosa de Maria?
A Igreja Católica Romana responde a essa pergunta dizendo que a própria Maria foi livre do pecado, mas a Escritura em nenhum lugar ensina tal doutrina, que aliás não resolveria o problema de forma alguma (pois por que, então, Maria não teria herdado o pecado de sua mãe?). Uma solução melhor é dizer que a obra do Espírito Santo em Maria deve ter evitado não somente a transmissão do pecado de José (por Jesus não ter tido um pai humano), mas também, de modo miraculoso, a transmissão do pecado de Maria: “O Espírito Santo virá sobre você [...] Assim, aquele que há de nascer será chamado Santo, Filho de Deus” (Lc 1.35).
‘Essa tradução do texto grego (‘Assim, aquele que há de nascer será chamado Santo, Filho de Deus”) é melhor do que a feita pela ARC e pela RA (“por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus”). Ela é melhor porque outros exemplos da literatura antiga mostram que a expressão grega to gennōmenon deve ser entendida como “a criança por nascer”
2.Fraqueza e limitações humanas.
A. Jesus possuía corpo humano. O fato de Jesus possuir um corpo humano exatamente como o nosso corpo é claramente visto em muitas passagens da Escritura. Ele nasceu exatamente como todos os bebês humanos nascem (Lc 2.7). Cresceu da infância até a maturidade exatamente como as outras crianças crescem: “O menino crescia e se fortalecia, enchendo-se de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele” (Lc 2.40). Além disso, Lucas nos diz que “Jesus ia crescendo em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens” (Lc 2.52).
Jesus se cansava exatamente como nós nos cansamos, pois lemos que, junto a fonte de Jacó, em Samaria, “Jesus, cansado da viagem, sentou-se à beira do poço. Isso se deu por volta do meio-dia” (Jo 4.6). Ele teve sede, pois, quando estava na cruz, disse: “Tenho sede” (Jo 19.28). Após ter jejuado por quarenta dias no deserto, lemos que Jesus “teve fome” (Mt 4.2). Em certas ocasiões esteve fisicamente fraco, pois durante sua tentação no deserto jejuou quarenta dias (situação em que a força física de um ser humano se esvai quase totalmente, além do que pode ocorrer grande dano físico se o jejum continua). Naquela ocasião os “anjos vieram e o serviram” (Mt 4.11), certamente para cuidar dele e proporcionar alimento até que recobrasse suas forças para sair do deserto. O ponto máximo das limitações de Jesus em termos de seu corpo humano foi visto quando ele morreu na cruz (Lc 23.46). Seu corpo humano cessou de ter vida e de funcionar, exatamente como acontece com o corpo de qualquer pessoa quando morre.
Jesus também ressuscitou dos mortos fisicamente, em corpo, embora tal corpo tenha se tornado perfeito e não mais fosse sujeito a fraquezas, doença ou morte. Ele demonstra repetidamente aos seus discípulos que, de fato, possuía um corpo físico real dizendo: “Vejam as minhas mãos e os meus pés. Sou eu mesmo! Toquem-me e vejam; um espírito não tem carne nem ossos, como vocês estão vendo que eu tenho” (Lc 24.39). Ele lhes estava mostrando e ensinando que era “carne e ossos” e não meramente um “espírito”, sem corpo. Outra evidência desse fato é que “deram-lhe um pedaço de peixe assado, e ele o comeu na presença deles” (Lc 24.42,43; cf. v. 30; Jo 20.17,20,27; 21.9,13).
Com esse mesmo corpo humano (embora ressurreto que foi tornado perfeito), Jesus também subiu ao céu. Ele disse antes de subir: [...] “agora deixo o mundo e volto para o Pai” (Jo 16.28; cf. 17.11). O modo pelo qual Jesus subiu para o céu foi estabelecido para demonstrar a continuidade entre sua existência com corpo físico aqui sobre a terra e sua existência contínua com esse corpo no céu. Exatamente poucos versículos após Jesus ter-lhes dito: “um espírito não tem carne nem ossos, como vocês estão vendo que eu tenho” (Lc 24.39), lemos no evangelho de Lucas que Jesus, “tendo-os levado até as proximidades de Betânia [...] ergueu as mãos e os abençoou. Estando ainda a abençoá-los, ele os deixou e foi elevado ao céu” (Lc 24. 50,51). Semelhantemente, lemos em Atos que Jesus “foi elevado às alturas enquanto eles olhavam, e uma nuvem o encobriu da vista deles” (At 1.9).
Todos esses versículos vistos juntos mostram que, no que diz respeito ao corpo humano de Jesus, ele era igual ao nosso em cada aspecto antes da ressurreição e após a ressurreição era ainda um corpo humano com “carne e ossos”, mas tornado perfeito, a espécie de corpo que teremos quando Cristo retornar e nós igualmente ressuscitarmos dos mortos.
B. Jesus possuía mente humana. O fato de que Jesus “ia crescendo em sabedoria” (Lc 2.52) significa que ele passou pelo processo de aprendizado exatamente como todas as outras crianças passam — aprendeu a comer, a andar, a ler e a escrever, e a ser obediente aos seus pais (v. Hb 5.8). Esse processo regular de aprendizado fazia parte da genuína humanidade de Cristo.Também vemos que Jesus tinha uma mente humana igual à nossa quando ele fala sobre o dia do seu retorno à terra: “Quanto ao dia e à hora ninguém sabe, nem os anjos no céu, nem o Filho, senão somente o Pai” (Mc 13.32).
C. Jesus possuía alma e emoções humanas. Vemos diversas indicações de que Jesus possuía uma alma (ou espírito) humano. Exatamente antes de sua crucificação, Jesus disse: “Agora, está angustiada a minha alma” (RA, Jo 12.27). João escreve um pouco mais tarde, dizendo que “Jesus perturbou-se em espírito” (Jo 13.21). Em ambos os versículos as palavras angústia e perturbação são traduções do termo grego tarassō, palavra bastante usada para referir-se a pessoas que estão ansiosas ou se sentem repentinamente confrontadas pelo perigo. Além disso, antes de sua crucificação, à medida que percebia o sofrimento que haveria de enfrentar, Jesus disse: “A minha alma está profundamente triste, numa tristeza mortal” (Mt 26.38). Tão grande era a tristeza que ele sentia que parecia estar tirando a sua vida.
Jesus experimentou grande variedade de emoções humanas. Ele “admirou-se” da fé do centurião (Mt 8.10). Chorou de tristeza na morte de Lázaro (Jo 11.35). Orou com o coração cheio de emoção, pois “durante os seus dias de vida na terra, Jesus ofereceu orações e súplicas, em alta voz e com lágrimas, àquele que o podia salvar da morte, sendo ouvido por causa da sua reverente submissão” (Hb 5.7).
O autor de Hebreus também nos diz o seguinte: “Embora sendo Filho, ele aprendeu a obedecer por meio daquilo que sofreu; e, urna vez aperfeiçoado, tornou-se a fonte da salvação eterna para todos os que lhe obedecem” (Hb 5.8,9). Todavia, se Jesus nunca pecou, como poderia “aprender a obedecer”? Certamente, enquanto crescia para a maturidade, Jesus, igual a todas as outras crianças, foi capaz de aceitar mais e mais responsabilidade. Quanto mais ele crescia, mais exigências seus pais colocavam sobre os seus ombros em termos de obediência, e mais tarefas difíceis seu Pai celestial lhe atribuía para que desempenhasse segundo a força de sua natureza humana. Quanto mais uma tarefa se tornava difícil e quanto mais as circunstâncias se tornavam difíceis, mesmo quando envolviam algum sofrimento (como Hb 5.8 especifica), mais aumentava a capacidade moral de Jesus, como homem, para obedecer. Poderíamos dizer que a ”espinha dorsal do comportamento moral” de Jesus era fortalecida à medida que o exercício se tornava mais difícil. Todavia, em tudo isso ele nunca pecou.
3. Impecabilidade. Embora o NT afirme com clareza que Jesus era plenamente homem exatamente como nós somos, também afirma que ele era diferente em um aspecto importante: Jesus era sem pecado, e nunca pecou durante toda a sua vida. Alguns têm contraposto que, se Jesus não pecou, então não era verdadeiramente humano, pois todos os seres humanos pecam. Mas essa objeção simplesmente falha em perceber que os seres humanos estão agora em uma situação anormal. Deus não nos criou com pecaminosidade, mas santos e retos. Adão e Eva no Jardim do Éden antes de pecarem eram verdadeiramente seres humanos, e nós agora, embora humanos, não correspondemos ao padrão que Deus pretende que tenhamos quando a nossa humanidade sem pecado for plenamente restaurada.
A verdade de que Jesus não pecou é ensinada muitas vezes no NT. Vemos que Satanás foi incapaz de persuadir Jesus a pecar, após quarenta dias de tentação: “Tendo terminado todas essas tentações, o Diabo o deixou até ocasião oportuna” (Lc 4.13). Não vemos também nos evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) qualquer evidência de algo errado feito por Jesus. Aos judeus que se lhe opunham, Jesus perguntou: “Qual de vocês pode me acusar de algum pecado?” (Jo 8.46), e não obteve resposta alguma.
As afirmações a respeito da impecabilidade de Jesus são mais explícitas no evangelho de João. Jesus fez a estonteante proclamação: “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8.12) Se entendermos que a luz representa tanto a veracidade como a pureza moral, então Jesus está afirmando categoricamente aqui ser a fonte da verdade e a fonte da pureza moral e da santidade no mundo — uma afirmação assombrosa que poderia somente ser feita por alguém que era livre do pecado. Além disso, com respeito à obediência ao seu Pai no céu, ele disse: “pois sempre faço o que lhe agrada” (Jo 8.29; o tempo presente do verbo dá o sentido de atividade contínua, “eu sempre estou fazendo o que lhe é agradável”). No final de sua vida, Jesus foi capaz de dizer: “[...] tenho obedecido aos mandamentos de meu Pai e em seu amor permaneço” (Jo 15.10). É significativo que quando Jesus foi posto no julgamento perante Pilatos, a despeito da acusação dos judeus, Pilatos pode somente concluir: “Não acho nele motivo algum de acusação” (Jo 18.38).
Quando Paulo fala de Jesus vindo para viver como um homem, ele tomou o cuidado de não dizer que Jesus se tornou um “homem pecador”, mas antes diz que Deus enviou o seu próprio Filho “à semelhança do homem pecador, como oferta pelo pecado” (Rm 8.3). E ele se refere a Jesus como “aquele que não tinha pecado” (2Co 5.2 1). O autor de Hebreus afirma que Jesus foi tentado, mas ao mesmo tempo insiste que ele não pecou: Jesus é aquele que foi passou por todo tipo de tentação,porém, sem pecado”(Hb 4.15). Ele é um sumo sacerdote que é “santo, inculpável, puro, separado dos pecadores, exaltado acima dos céus” (Hb 7.26). Pedro fala de Jesus como “um cordeiro sem defeito e sem defeito” (lPe 1.19), usando uma figura do AT para afirmar que ele era livre de qualquer corrupção moral. Pedro afirma diretamente que ele “não cometeu pecado algum, e nenhum engano foi encontrado em sua boca” (lPe 2.22). Quando Jesus morreu, foi “o justo pelos injustos, para conduzir-nos a Deus” (lPe 3.18). João, em sua primeira carta, chama Jesus Cristo de “o Justo” (lJo 2.1) e diz que “nele não há pecado” (lJo 3.5). É difícil negar, então, que a impecabilidade de Cristo seja ensinada claramente nas seções mais importantes do NT. Ele era verdadeiramente homem, todavia sem pecado.
O fato de que Jesus passar “por todo tipo de tentação” (Hb 4.15) tem grande significação para a nossa vida. Não importa quão difícil seja para compreender isso, a Escritura afirma que nessas tentações Jesus adquiriu uma capacidade de entender-nos e ajudar-nos em nossas tentações. “Porque, tendo em vista o que ele mesmo sofreu quando tentado, ele é capaz de socorrer aqueles que também estão sendo tentados” (Hb 2.18). O autor continua a conectar a capacidade de Jesus de simpatizar-se com as nossas fraquezas ao fato de que ele foi tentado como nos o somos: “pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, mas sim alguém que, como nós, passou por todo tipo de tentação, porém, sem pecado. Assim, aproximemo-nos do trono da graça com toda a confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça que nos ajude no momento da necessidade” (Hb 4.15,16).
Isso tem implicações práticas para nós: em cada situação em que estamos lutando com a tentação, devemos refletir sobre a vida de Cristo e perguntar se não houve situações semelhantes que ele enfrentou. Geralmente, após refletirmos por um pouco, seremos capazes de pensar a respeito de algumas circunstâncias na vida de Cristo nas quais ele enfrentou tentações que, embora não tenham sido iguais em cada detalhe, foram muito similares às situações que enfrentamos cada dia.
4.Jesus poderia ter pecado? A pergunta por vezes proposta é: “Era possível Cristo ter pecado?”. Algumas pessoas argumentam pela impecabilidade de Cristo, com a palavra impecabilidade significando “incapacidade de pecar”. Outros contrapõem que, se Jesus não fosse capaz de pecar, suas tentações não poderiam ter sido reais, pois como pode a tentação ser real se a pessoa que é tentada não possui a capacidade de pecar?
Para responder a essa pergunta, devemos distinguir o que a Escritura claramente afirma, de um lado, e, de outro, o que se relaciona mais com especulação de nossa parte. 1) A Escritura afirma claramente que Cristo na verdade nunca pecou (v. acima). Não deveria haver dúvida alguma em nossa mente sobre esse fato. 2) A Escritura também afirma claramente que Jesus foi tentado e que essas tentações foram tentações reais (Lc 4.2). Se cremos na Escritura, devemos insistir em que Cristo, “como nós, passou por todo tipo de tentação, porém, sem pecado” (Hb 4.15). 3) Também devemos afirmar com a Escritura que “Deus não pode ser tentado pelo mal” (Tg 1.13). Mas aqui a questão se torna difícil: Se Jesus era plenamente Deus assim como plenamente homem (e vamos argumentar a seguir que a Escritura clara e repetidamente ensina isso), não devemos então afirmar que (em algum sentido) Jesus também “não poderia ser tentado pelo mal”?
Essas afirmações explícitas da Escritura apresentam-nos um dilema semelhante a outros dilemas doutrinários em que a Escritura parece ensinar coisas que são, se não diretamente contraditórias, ao menos muito difíceis de se encaixar em nosso entendimento. Nesse exemplo, realmente não temos uma contradição. A Escritura não nos diz que “Jesus foi tentado” e que “Jesus não foi tentado” (a contradição seria se “Jesus” e “tentado” fossem usados exatamente no mesmo sentido em ambas as frases).A Bíblia nos diz que “Jesus foi tentado”, que “era plenamente homem”, que “era plenamente Deus” e que “Deus não pode ser tentado”. Essa combinação de ensinos da Escritura deixa aberta a possibilidade de que, à medida que entendemos o modo pelo qual a natureza humana e a natureza divina de Jesus trabalham juntas, podemos entender um pouco mais sobre o modo pelo qual ele pôde ser tentado em um sentido e, todavia, em outro sentido, não pôde ser tentado. (Essa possibilidade será discutida mais adiante).
Neste momento, então, vamos além das afirmações claras da Escritura e tentamos sugerir uma solução para o problema se Cristo poderia ter pecado. Mas é importante reconhecer que a solução a seguir está mais ligada a métodos de combinação de vários ensinos bíblicos e não é apoiada diretamente por afirmações explícitas da Escritura. Com isso em mente, é adequado dizer o seguinte: 1) Se a natureza humana de Jesus tivesse existido par si mesma, independentemente de sua natureza divina, então ela teria sido uma natureza humana exatamente igual àquela que Deus deu a Adão e Eva. Ela estaria livre de pecar, mas, apesar disso, seria capaz de pecar. 2) Mas a natureza humana de Jesus nunca existiu separadamente da união com a natureza divina. Desde o momento de sua concepção, ele existiu como verdadeiramente Deus assim como verdadeiramente homem. Tanto sua natureza humana quanto sua natureza divina estavam unidas em uma pessoa. 3) Embora houvesse algumas coisas (como sentir fome, sede ou fraqueza) que Jesus experimentou somente em sua natureza humana, coisas que não foram experimentadas com sua natureza divina (v. a seguir), contudo pecar teria sido um ato moral que certamente envolveria a pessoa total de Cristo. Portanto, se ele houvesse pecado, teria havido o envolvimento das duas naturezas, divina e humana. 4) Mas se Jesus como pessoa houvesse pecado, envolvendo ambas as naturezas em pecado, então o próprio Deus teria pecado e teria cessado de ser Deus. Todavia, isso é claramente impossível por causa da santidade infinita da natureza de Deus. 5) Portanto, parece que, se perguntarmos sobre a real possibilidade de Jesus ter pecado, devemos concluir que não seria possível. A união de suas naturezas, divina e humana, em uma pessoa impediu que isso acontecesse.
Mas a questão ainda permanece: “Como poderiam então as tentações de Jesus ter sido reais?”. O exemplo da tentação de transformar as pedras e pães é útil nesse caso. Jesus tinha a capacidade, em virtude de sua natureza divina, de realizar tal milagre, mas, se ele o tivesse feito, não mais teria sido obediente a Deus Pai unicamente na força de sua natureza humana, mas teria falhado no teste em que Adão também falhou e não teria obtido a salvação para nós. Entretanto, Jesus recusou-se a contar com sua natureza divina para tornar a obediência mais fácil para ele. De igual modo, parece apropriado concluir que Jesus enfrentou cada tentação para pecar não por seu poder divino, mas unicamente na força de sua natureza humana (embora, naturalmente, seu lado humano não estivesse sozinho, porque Jesus, exercendo a espécie de fé que os seres humanos devem exercer, era perfeitamente dependente de Deus Pai e do Espírito Santo em cada momento).A força moral de sua natureza divina estava lá como uma espécie de “barreira” que evitava que ele pecasse (e, portanto, podemos dizer que não era possível ele pecar), mas ele não contou com a força de sua natureza divina para tornar mais fácil o processo de enfrentar as tentações, e sua recusa em transformar as pedras em pães no começo do seu ministério é uma indicação clara disso.
As tentações foram então reais? Muitos teólogos têm salientado que somente quem resiste vitoriosamente à tentação até o fim sente plenamente a força dessa tentação. Exatamente como um halterofilista campeão que levanta sobre a cabeça o haltere mais pesado no campeonato consegue sentir a força dele mais plenamente que quem tenta levantá-lo e não consegue, assim qualquer cristão que enfrentou vitoriosamente uma tentação até o fim sabe que isso é muito mais difícil que simplesmente desistir de uma vez. Foi isso que aconteceu com Jesus: cada tentação que ele enfrentou, permaneceu firme até o fim e triunfou sobre ela. As tentações foram reais, muito embora ele não tenha cedido a elas — de fato, elas foram muitíssimo reais porque ele não cedeu a elas.
5. Por que era necessária a plena humanidade de Jesus? Quando João escreveu sua primeira carta, um ensino herético estava circulando na igreja dizendo que Cristo não era um homem. Essa heresia ficou conhecida por docetismo, palavra que vem do verbo grego dokeō (“o que aparenta”, “o que parece ser”). Essa doutrina sustenta que Jesus não era realmente um homem, mas somente tinha a aparência de um homem. Essa negação da verdade sobre a humanidade de Jesus foi tão séria que João chegou a dizer que ela era uma doutrina do anticristo:
“Vocês podem reconhecer o Espírito de Deus deste modo: todo espírito que confessa que Jesus Crista veio em carne procede de Deus; mas todo espírito que não confessa Jesus não procede de Deus. Esse é o espírito do anticristo, acerca do qual vocês ouviram que está vindo, e agora já está no mundo” (lJo 4.2,3). O apóstolo João entendeu que a negação da verdadeira humanidade de Jesus era a negação de algo que representava o âmago do cristianismo, de forma que alguém que negasse que Jesus havia vindo em carne poderia ser considerado como não procedente de Deus.
À medida que percorremos o NT, podemos ver diversas razões pelas quais Jesus tinha de ser plenamente homem para exercer as suas funções messiânicas e merecer a nossa salvação. Duas das razões mais vitais são listadas a seguir:
A. Para exercer a obediência representativa. Como observamos no capítulo sobre o pecado, Adão serviu como nosso representante no jardim do Éden e, mediante sua desobediência, Deus considerou-nos culpados também. De modo semelhante, Jesus foi nosso representante e obedeceu por nós onde Adão havia desobedecido e falhado. Vemos isso no paralelo entre a tentação de Jesus (Lc 4.1-13) e o tempo do teste de Adão e Eva no jardim (Gn 2.15—3.7). Isso também se reflete claramente na discussão de Paulo do paralelo entre Adão e Cristo: “Conseqüentemente, assim como uma só transgressão resultou na condenação de todos os homens, assim também um só ato de justiça resultou na justificação que traz vida a todos os homens. Logo, assim como por meio da desobediência de um só homem muitos foram feitos pecadores, assim também, por meio da obediência de um único homem muitos serão feitos justos” (Rm 5.18,19).
Essa é a razão pela qual Paulo denomina Cristo “o último Adão” (1 Co 15.45), e também chama Adão “o primeiro homem” e Cristo “o segundo homem” (lCo 15.47). Jesus tinha de ser um homem a fim de ser nosso representante e obedecer em nosso lugar.
B. Para oferecer o sacrifício substitutivo. Se Jesus não tivesse sido um homem, não poderia ter morrido em nosso lugar e não poderia ter pago a penalidade que nos era devida. O autor de Hebreus nos diz o seguinte: ”Pois é claro que não é a anjos que ele ajuda, mas aos descendentes de Abraão. Por essa razão era necessário que ele se tornasse semelhante a seus irmãos em todos os aspectos, para se tornar sumo sacerdote misericordioso e fiel com relação a Deus, e fazer propiciação pelos pecados do povo” (Hb 2.16,17; cf v.14). Jesus tinha de se tornar um homem, não um anjo, porque Deus estava preocupado com a salvação de homens, não de anjos. Mas, para fazer isso, “era necessário” que ele fosse feito igual a nós “em todos os aspectos”, para que pudesse “fazer propiciação” por nós, o sacrifício que é a substituição aceitável a nosso favor. A menos que Cristo fosse plenamente homem, ele não poderia ter morrido para pagar a penalidade dos pecados do homem, nem poderia ter realizado a sacrifício substitutivo por nós.
Há também outras razões para a necessidade da humanidade de Jesus. Jesus tinha de ser plenamente homem e plenamente Deus para cumprir o papel de mediador entre Deus e o homem (cf. lTm 2.5). O fato de que Jesus foi um homem e experimentou tentações capacitou-o a simpatizar mais plenamente conosco como nosso “sumo sacerdote” (Hb 2.18; cf. 4.15).A humanidade de Jesus proporciona exemplo e padrão para nossa vida (cf. lJo 2.6; lPe 2.21). Todas essas razões ressaltam a importância vital de afirmar que Jesus não era apenas plenamente Deus, mas também era plenamente homem e, assim, tornou-se capaz de assegurar plenamente nossa salvação.
B. A divindade de Cristo
Para completar o ensino bíblico sobre Jesus Cristo, devemos afirmar não somente que ele era plenamente homem, mas também que era plenamente divino. Embora a palavra não ocorra explicitamente na Escritura, a igreja tem usado o termo encarnação para referir-se ao fato de que Jesus era Deus vindo em carne. A encarnação foi o ato de Deus Filho pelo qual ele assumiu para si a natureza humana. A prova escriturística da divindade de Cristo é bastante ampla no NT. Nós a examinaremos sob diversas categorias.
1. Declarações diretas da Escritura. Nesta seção vamos examinar as afirmações diretas da Escritura de que Jesus é Deus ou de que ele é divino.
A. A Palavra Deus (theos) usada com relação a Cristo. Embora a palavra theos, “Deus”, seja regularmente reservada no NT para Deus Pai, há no entanto diversas passagens em que ela é usada também para referir-se a Jesus Cristo. Em todas essas passagens a palavra “Deus” é usada em um sentido forte para referir-se àquele que é criador do céu e da terra, o governante sobre todas as coisas. Essas passagens incluem João 1.1; 1.18 (nos melhores e mais antigos manuscritos) ; 20.28; Romanos 9.5; Tito 2.13; Hebreus 1.8 (citando Sl 45.6); e 2Pedro 1.1. Como algumas passagens já foram discutidas em detalhes no capítulo sobre a Trindade, a discussão não será repetida aqui. É suficiente observar que há ao menos sete passagens claras no NT que se referem explicitamente a Jesus como Deus.
Um exemplo do AT do nome Deus aplicado a Cristo é visto em uma passagem messiânica que nos é muito familiar: “Porque um menino nos nasceu, um filho nas foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso...” (Is 9.6).
B. A palavra Senhor (kyrios) usada com relação a Cristo. Às vezes a palavra Senhor (gr., kyrios) é usada simplesmente como referência polida a um superior, que se aproxima do nosso tratamento respeitoso a uma pessoa mais velha ou em posição superior à nossa (v. Mt 13.27; 21.30; 27.63; Jo 4.11). Em outras ocasiões essa palavra pode significar simplesmente o “senhor” de um servo ou escravo (Mt 6.24; 2 1.40). Todavia, a mesma palavra é também usada na Septuaginta (a tradução grega do AT, que era regularmente usada no tempo de Cristo) como uma tradução da palavra hebraica YHWH’, Iavé, ou “o SENHOR” (como é muitas vezes traduzida em muitas versões).A palavra kyrios é usada para traduzir o nome de Deus 6.814 vezes na versão grega do AT. Portanto, qualquer leitor de fala grega no tempo do NT que possuísse algum conhecimento de AT em grego teria reconhecido que, nos contextos onde fosse apropriado, a palavra Senhor era o nome do criador e sustentador dos céus e da terra, o Deus onipotente.
Há muitos exemplos no NT em que a palavra “Senhor” em referência a Cristo pode ser entendida como possuindo o sentido forte que o AT lhe empresta, “o SENHOR”, que é lave ou o próprio Deus. Esse uso da palavra “Senhor” é muito impressionante na afirmação do anjo aos pastares de Belém: “Hoje, na cidade de Davi, lhes nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.11). Embora essas palavras nos sejam familiares pelo uso freqüente que fazemos delas no período do Natal, devemos perceber quão surpreendentes elas foram para o judeu do século I que as ouviu: um bebê sendo chamado “o Cristo” (ou “Messias”) e, além disso, esse Messias sendo também “o Senhor” — isto é, o próprio Senhor Deus!
Vemos outro exemplo quando Mateus diz que João Batista é quem clama no deserto: “Preparem o caminho para o Senhor, façam veredas retas para ele” (Mt 3.3). João está citando Isaías 40.3, que fala a respeito do próprio Senhor Deus manifesto entre seu povo. Mas o contexto aplica essa passagem ao papel de João de preparar o caminho para a chegada de Jesus. A conclusão é que, quando Jesus viesse, seria o próprio Senhor quem viria.
Jesus também identifica-se como o Senhor soberano do AT quando pergunta aos fariseus, sobre Salmos 110.1: “‘O Senhor disse ao meu Senhor: Senta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo de teus pés”’(Mt 22.44). A força dessa afirmação é que “Deus Pai disse a Deus Filho (o Senhor de Davi): ‘Senta-te à minha direita...”’. Os fariseus sabiam que ele estava falando a respeito de si próprio e identificando- se como alguém digno do título Kyrios (“Senhor”), muito próprio do AT.
Tal uso é muitas vezes visto nas Cartas, onde “o Senhor” é o nome comum para se referir a Cristo. Paulo diz: “para nós, porém, há um único Deus, o Pai, de quem vêm todas as coisas e para quem vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, por meio de quem vieram todas as coisas e por meio de quem vivemos” (lCo 8.6; cf. 12.3, e muitas outras passagens tanto nas cartas de Paulo como nas gerais).
C. Outras declarações fortes da divindade de Cristo. Além do uso das palavras Deus e Senhor para se referir a Cristo, temos outras passagens que declaram fortemente a divindade de Cristo. Quando Jesus disse aos seus oponentes judeus que Abraão tinha visto o seu (de Cristo) dia, eles o desafiaram dizendo: “Você ainda não tem cinqüenta anos, e via Abraão?” (Jo 8.57). Aqui a resposta suficiente para provar a eternidade de Jesus teria sido: “Antes de Abraão existir, eu já existia”. Mas Jesus não disse isso. Ao contrário, ele fez uma afirmação ainda mais surpreendente: “Eu lhes afirmo que antes de Abraão nascer, Eu Sou!” (Jo 8.58). Jesus combinou duas asserções cuja seqüência parecia não fazer sentido: “Antes de alguma coisa ter acontecido no passado [Abraão era], alguma coisa no presente acontecia [Eu Sou]”. Os líderes judeus reconheceram de uma vez por todas que ele não estava falando por enigmas nem estava fazendo qualquer pronunciamento sem sentido. Quando ele disse “Eu Sou”, estava repetindo as verdadeiras palavras que Deus usou quando se identificou diante de Moisés como “Eu Sou o que Sou” (Ex 3.14). Jesus estava requerendo para si próprio o título “Eu Sou”, pelo qual Deus se autodesignou o eterno auto-existente, o Deus que é a fonte da própria existência e que sempre tem sido e sempre será. Quando os judeus ouviram essa afirmação incomum, enfática e solene, sabiam que Jesus estava afirmando ser Deus. “Então eles apanharam pedras para apedrejá-lo, mas Jesus escondeu-se e saiu do templo” (Jo 8.59).
Outra declaração vigorosa da divindade de Jesus é sua afirmação no final do Apocalipse: “Eu sou o Alfa e o Ômega,o Primeiro e o Ultimo, o Princípio e o Fim” (Ap 22.13).Quando combinada com a afirmação de Deus Pai em Apocalipse 1.8 (“Eu sou o Alfa e o Ômega”), ela também constitui forte declaração para mostrar divindade igual à de Deus Pai. Soberano sobre a totalidade da história e sobre toda a criação, Jesus é o Princípio e o Fim.
Evidência adicional de afirmações da divindade pode ser encontrada no fato de que Jesus chama a si mesmo de “o Filho do homem”. Esse título é usado 84 vezes nos quatro evangelhos, mas somente por Jesus e somente para falar de si próprio (observe. Mt 16.13 com Lc 9.18). No restante do NT, a expressão “o Filho do homem” (com o artigo definido “o”) é usada somente uma vez, em Atos 7.56, quando Estevão se refere a Cristo como “o Filho do homem”. Esse termo singular tem seu pano de fundo na visão de Daniel 7, quando Daniel viu alguém semelhante a um “filho de homem” que “se aproximou do ancião” [“Ancião de Dias’, RA] e a quem foram dados “autoridade, glória e o reino; todos os povos, nações e homens de todas as línguas o adoraram. Seu domínio é um domínio eterno que não acabará, e seu reino jamais será destruído” (Dn 7.13,14). É admirável que esse “filho do homem” tenha vindo “com as nuvens dos céus” (Dn 7.13). Essa passagem fala claramente de alguém que possuía origem celestial e a quem foi dado domínio eterno sobre todos os povos. O sumo sacerdote entendeu muito bem quando Jesus disse: “Chegará o dia em que vereis o Filho do homem assentado à direita do Poderoso e vindo sobre as nuvens do céu” (Mt 26.64). A referência a Daniel 7.13,14 é inconfundível, e o sumo sacerdote e seus companheiros sabiam que Jesus estava afirmando ser o eterno governante do inundo, de origem celestial, referido na visão de Daniel. Imediatamente eles disseram: “‘Blasfemou! [...] O que acham?”É réu de morte!’, responderam eles” (Mt 26.65,66). Aqui Jesus finalmente tornou explícita sua forte alegação de ser o eterno governante do mundo que ficara anteriormente subentendida pelo freqüente uso do título “o Filho do homem” aplicado a si próprio.
Embora o título “Filho de Deus possa algumas vezes ser usado simplesmente para referir-se a Israel (Mt 2.15), ou ao homem criado por Deus (Lc 2.38), ou ao homem redimido em geral (Rm 8.14,19,23), há todavia exemplos em que a expressão “Filho de Deus” se refere a Jesus como o Filho eterno e celestial que é igual ao próprio Deus (v. Mt 11.25-30; 17.5; lCo 15.28; Hb 1.1-3,5,8). Isso é especialmente verdadeiro no evangelho de João, no qual Jesus é visto como Filho singular do Pai (Jo 1.14,18,34,49) que revela plenamente o Pai (Jo 8.19; 14.9). Como Filho ele é tão grande que podemos confiar nele para a vida eterna (algo que não poderia ser dito de nenhum ser criado: Jo 3.16,36: 20.3 1). Ele é também quem tem toda a autoridade do Pai para dar vida, pronunciar julgamento eterno e governar sobre tudo (Jo 3.36; 5.20-22,25; 10.17; 16.15). Como Filho ele foi enviado pelo Pai e, portanto, existia desde antes de vir ao mundo (Jo 3.37; 5.23; 10.36).
Essas passagens combinam-se para indicar que o título “Filho de Deus” quando aplicado a Cristo afirma fortemente sua divindade como o Filho eterno na Trindade, igual a Deus Pai em todos os atributos.
2. Evidência de que Jesus possuía atributos da divindade. Somando-se à afirmação específica da divindade de Jesus observada nas diversas passagens citadas anteriormente, vemos muitos exemplos das ações de Jesus no tempo em que viveu entre nós que demonstram seu caráter divino.
a) Jesus demonstrou sua onipotência quando acalmou a tempestade no mar com apenas uma ordem (Mt 8.26,27), multiplicou pães e peixes (Mt 14.19) e transformou água em vinho (Jo 2.1-11).
b) Jesus declarou sua eternidade quando disse: “Eu lhes afirmo que antes de Abraão nascer, Eu Sou!” (Jo 8.58,v. discussão anterior), ou quando disse: “Eu sou o Alfa e o Ômega” (Ap 22.13).
c) A onisciência de Jesus é demonstrada pelo conhecimento do pensamento das pessoas (Mc 2.8) e por saber “desde o princípio quais deles não criam e quem o iria trair” (Jo 6.64). O conhecimento de Jesus era muito mais amplo que a revelação de informação que as pessoas poderiam receber por meio do ofício profético, porque ele mesmo conhecia a crença e a descrença que estava no coração de todas as pessoas (v. Jo 2.25; 16.30).
d) O atributo da onipresença divina de Jesus não é afirmado diretamente durante seu ministério terreno. Contudo, enquanto olhava para o tempo em que a igreja seria estabelecida, Jesus pôde dizer: “Pois onde se reunirem dois ou três em meu nome, ali eu estou no meio deles” (Mt 18.20). Além disso, antes de deixar este mundo, ele disse aos seus discípulos: “E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos” (Mt 28.20).
e) A soberania divina, espécie de autoridade possuída por Deus somente, é vista no fato de que ele podia perdoar pecados (Mc 2.5-7). Diferentemente dos profetas do AT que declararam:“Assim diz O SENHOR”, ele pôde prefaciar suas afirmações com a frase “Mas eu lhes digo” (Mt 5.22,28,32,34, 39,44) – alegação espantosa de sua autoridade. Ele pôde falar com autoridade do próprio Deus porque ele era plenamente Deus.
f) Outra afirmação clara da divindade de Cristo é o fato de ser contado digna de adoração, algo que não pertence a nenhuma outra criatura, incluindo anjos (v. Ap 19.10), mas somente a Deus. Todavia, a Escritura diz de Cristo que “Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai” (Fp 2.9-11). Semelhantemente, Deus ordena aos anjos que adorem Cristo, pois lemos: “E ainda, quando Deus introduz o Primogênito no mundo, diz: ‘Todas os anjos de Deus o adorem”’ (Hb 1.6).
3. Jesus abriu mão de alguns de seus atributos divinos enquanto viveu neste mundo (a teoria da kenosis)? Paulo escreve aos filipenses: “Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens” (Fp 2.5-7). Começando por esse texto, diversos teólogos do século XIX advogaram uma idéia inesperada da encarnação chamada “teoria da kenosis”, que sustenta que Cristo abriu mão de alguns de seus atributos divinos enquanto esteve neste mundo como homem. (A palavra kenosis é emprestada do verbo grego kenoō, que geralmente significa “esvaziar”, e é traduzido por “esvaziou-se” em Fp 2.7.) Segundo essa teoria, Cristo “esvaziou-se” de alguns de seus atributos divinos como onisciência, onipresença e onipotência enquanto esteve sobre a terra como homem. Isso foi visto como a autolimitação voluntária da parte de Cristo, que ele assumiu a fim de realizar a obra de redenção.
Apos o exame mais preciso, podemos ver que Filipenses 2.7 não diz que Cristo “esvaziou-se de alguns poderes” ou que “esvaziou-se de atributos divinos”, ou coisa parecida. Antes o texto descreve o que Jesus fez nesse “esvaziamento”. Ele não se esvaziou por abrir mão de qualquer de seus atributos, mas por vir “a ser servo”, isto é, por passar a viver como homem e, a ser “encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte, morte de cruz!” (Fp 2.8). Assim, o contexto interpreta o “esvaziamento” como equivalente a “humilhou-se a si mesmo”, assumindo uma posição ou condição mais baixa. O esvaziamento inclui o papel e a posição, não os atributos essenciais ou a natureza. Isso significa que ele assumiu uma condição humilde.
O contexto mais amplo dessa passagem também torna essa interpretação clara. O propósito de Paulo era o de persuadir os filipenses de que eles não deveriam fazer nada “por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos” (Fp 2.3), e continua lhes dizendo: “Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros” (Fp 2.4). Para persuadi-los a ser humildes e a colocar os interesses dos outros em primeiro lugar, Paulo, então, aponta para Cristo como exemplo supremo de alguém que fez exatamente isso: ele colocou os interesses dos outros primeiro e desejou abrir mão de alguns privilégios e posição que eram seus como Deus. Paulo quer que os filipenses imitem Cristo. Mas certamente não está pedindo aos cristãos filipenses para “abrirem mão” ou “colocarem de lado” quaisquer de suas capacidades ou atributos que lhes eram essenciais! Ele não lhes pede que abrissem mão de sua inteligência ou força ou capacidade e que se tornassem uma versão diminuída do que realmente eram. Ao contrário, ele lhes pediu para colocar os interesses dos outros em primeiro lugar: ‘Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros” (Fp 2.4).
Portanto, o melhor entendimento desta passagem é que ela fala a respeito de Jesus abrindo mão da posição e do privilegio que foram seus no céu: Ele, “embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era sigo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo” ou “humilhou-se”, e veio viver como homem. Jesus fala em outra passagem da “glória” que tinha como Pai “antes que o mundo existi-se” (Jo 17.5), glória da qual abriu mão e que haveria de receber de volta quando retornasse ao céu. E Paulo podia falar de Cristo que, “sendo rico, se fez pobre por amor de vocês” (2Co 8.9), discorrendo uma vez mais sobre o privilégio e honra que merecia, porém dos quais temporariamente abriu mão por nós.
A “teoria da kenosis”, portanto, não é o entendimento correto de Filipenses 2.5-7. De fato, se a teoria da kenosis fosse verdadeira (e essa é a objeção fundamental contra ela), então não mais poderíamos afirmar que Jesus tenha sido plenamente Deus enquanto esteve aqui neste mundo.A teoria da kenosis definitivamente nega a plena divindade de Jesus Cristo e o faz algo menos que plenamente Deus.
4. Conclusão: Cristo é plenamente divino. O NT afirma continuamente a plena e absoluta divindade de Jesus Cristo. Ele faz isso em centenas de versículos explícitos que chamam Jesus “Deus”, ”Senhor” e “Filho de Deus”, assim como em muitos versículos que usam outros títulos da divindade para referir-se a ele e em uma série de passagens que lhe atribuem ações ou palavras que poderiam ser verdadeiras a respeito de Deus.”Pois foi do agrado de Deus que nele habitasse toda a plenitude” (Cl 1.19). “Pois em Crista habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl 2.9). Em uma seção anterior argumentamos que Jesus é verdadeira e plenamente homem. Agora concluímos que é também verdadeira e plenamente Deus. Ele é chamado corretamente “Emanuel”, isto é, “Deus conosco” (Mt 1.23).
5. Por que a divindade de Jesus era necessária? Na seção anterior, listamos diversas razões por que foi necessário Jesus ser plenamente homem a fim de obter a nossa redenção. Aqui é conveniente reconhecer que é crucialmente importante insistir também na plena divindade de Cristo, não apenas porque ela é claramente ensinada na Escritura, mas também porque: 1) somente o Deus infinito poderia suportar a plena penalidade de todos os pecados dos que haveriam de crer nele — qualquer criatura finita teria sido incapaz de suportar tal penalidade; 2) a salvação é do Senhor (Jn 2.9), e a mensagem total da Escritura tem o propósito de mostrar que nenhum ser humano nem nenhuma criatura poderia salvar o homem — somente o próprio Deus; e 3) somente quem fosse plena e verdadeiramente Deus poderia ser o único mediador entre Deus e o homem (lTm 2.5), tanto para trazer-nos de volta a Deus como para revelar-nos Deus mais completamente (Jo 14.9).
Assim, se Jesus não é plenamente Deus, não temos salvação e definitivamente nenhum cristianismo. Não é por acaso que no decorrer da história os grupos que abriram mão da crença na plena divindade de Cristo não permaneceram dentro da fé cristã, mas logo se apartaram para urna espécie de religião representada pela unitarismo nos Estados Unidos e em outras lugares. “‘Fado o que nega o Filho também não tem o Pai” (lJo 2.23).”Todo aquele que não permanece no ensino de Cristo, mas vai além dele, não tem Deus; quem permanece no ensino tema Pai e também o Filho” (2Jo 9).
C. A encarnação: divindade e humanidade na pessoa única de Cristo
O ensino bíblico a respeito da plena divindade e plena humanidade de Crista é tão amplo que ambas têm sido aceitas desde os tempos mais antigos da história da igreja. Mas o entendimento exato de como a plena divindade e plena humanidade poderiam ser combinadas em uma só pessoa foi formulado gradualmente na igreja e não alcançou a forma final senão na Definição de Calcedónia, em 451 d.C. Antes desse período, diversas posições inadequadas da pessoa de Cristo foram propostas e a seguir rejeitadas. Uma dessas visões, o arianismo, que sustentava que Jesus não era plenamente divino, foi discutida anteriormente no capítulo sobre a doutrina da Trindade. Mas três outras idéias que foram finalmente rejeitadas como heréticas devem ser mencionadas neste momento.
1. Três idéias inadequadas da pessoa de Cristo.
a. Apolinarismo.
Apolinário, que tornou-se bispo de Laodicéia por volta de 361 d.C., ensinou que a pessoa única de Cristo possuía um corpo humano, mas não uma mente humana ou espírito humano, e que a mente e o espírito de Cristo provinham da natureza divina do Filho de Deus.
Mas as idéias de Apolinário foram rejeitadas pelos líderes da igreja naquela época, que perceberam que não era somente o corpo humano que necessitava de salvação e de ser representado por Cristo na obra redentora, mas também a mente e o espírito (ou alma) humanos: Cristo tinha de ser plena e verdadeiramente homem se ele fosse nos salvar (He 2.17). O apolinarismo foi rejeitado por diversos concílios eclesiásticos, desde o Concílio de Alexandria em 362 d.C. ao Concílio de Constantinopla em 381 d.C.
b. Nestorianismo.
O nestorianismo é a doutrina que ensinava a existência de duas pessoas separadas em Cristo, uma humana e uma divina, ensino distinto da visão bíblica de que Jesus era somente uma pessoa.
Nestório era um pregador popular em Antioquia que em 428 dC. tornou-se bispo de Constantinopla. Embora o próprio Nestório provavelmente nunca tenha ensinado essa posição herética que leva o seu nome (a idéia de que Cristo era duas pessoas em um corpo, e não uma só pessoa), por causa de uma combinação de diversos conflitos pessoais e de boa dose de política eclesiástica, ele foi deposto do seu ofício de bispo e seus ensinos foram condenados.
É importante entender por que a igreja não pode aceitar a idéia de que em Cristo havia duas pessoas distintas. Em nenhum lugar da Escritura existe a indicação real de que a natureza humana de Cristo, por exemplo, é uma pessoa independente, decidindo fazer algo contrário à natureza divina de Cristo. Em nenhum lugar temos a indicação das naturezas humana e divina conversando uma com a outra, ou travando luta dentro de Cristo, ou fazendo outra coisa qualquer. Ao contrário, temos o quadro coerente de uma única pessoa agindo em sua totalidade e unidade. Jesus sempre fala como eu não como nós, embora possa referir-se a si mesmo e ao Pai como “nós” (Jo 14.23).A Bíblia sempre fala de Jesus como “ele”, não como “eles”. E, embora passamos algumas vezes distinguir ações de sua natureza divina e ações de sua natureza humana a fim de ajudar-nos a entender algumas das afirmações e ações registradas na Escritura, a Bíblia não diz que “por meio da natureza humana Jesus fez isto” ou que “por meio de sua natureza divina Jesus fez aquilo”, como se fossem duas pessoas separadas, mas sempre fala a respeito do que a pessoa de Cristo fez. Portanto, a igreja continuou a insistir no fato de que Jesus era uma só pessoa, embora possuísse tanto a natureza humana quanto a natureza divina.
c. Monofisismo (eutiquismo) .
A terceira idéia inadequada de Cristo é chamada monofisismo, a idéia de que Cristo possuía uma só natureza (gr., monos,”uma”, e physis,”natureza”). O primeiro defensor dessa idéia na igreja primitiva foi Êutico (378-454 d.C.), que era o líder de um monastério em Constantinopla. Êutico ensinava um erro aposto ao do nestorianismo, pois negava que a natureza humana e a natureza divina em Cristo tivessem permanecido plenamente humana e plenamente divina. Ele sustentava, antes, que a natureza humana de Cristo foi tomada e absorvida pela natureza divina, de modo que ambas as naturezas foram mudadas em algum grau, resultando em uma espécie de terceira natureza. Uma analogia ao eutiquismo pode ser vista se pingamos uma gota de tinta em um copo de água. A mistura resultante não é nem pura tinta nem pura água, mas uma espécie de terceira substância, a mistura das duas na qual tanto a tinta como a água são mudadas. Semelhantemente, Êutico ensinava que Jesus era a mistura de elementos divinos e humanos na qual ambas as naturezas foram em algum sentido modificadas para formar uma nova natureza.
O monofisismo também causou grande preocupação na igreja, porque, segundo essa doutrina, Cristo não era nem verdadeiramente Deus nem verdadeiramente homem. Assim, ele não poderia verdadeiramente representar- nos como homem nem poderia ser verdadeiro Deus e capaz de obter nossa salvação.
2. A solução para a controvérsia. A Definição de Calcedônia em 451 d.C.
A fim de tentar resolver os problemas levantados pelas controvérsias sobre a pessoa de Cristo, um grande concilio eclesiástico foi convocado para se reunir na cidade de Calcedônia, próxima de Constantinopla (ou a moderna Istambul), de 8 de outubro a 10 de novembro, em 451 d.C. A afirmação resultante, chamada Definição de Calcedônia, posicionou-se contra o apolinarismo, o nestorianismo e o eutiquismo. Ela é considerada a definição padrão da ortodoxia do ensino bíblico sobre a pessoa de Cristo desde aquela época por todos os grandes ramos do cristianismo: o catolicismo, o protestantismo e a ortodoxia oriental.
A afirmação não é longa, e podemos citá-la em sua totalidade:
[Fiéis aos santos pais, todos nós, perfeitamente unânimes, ensinamos que se deve confessar um só e mesmo Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, perfeito quanto à divindade e perfeito quanto à humanidade, verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, constando de alma racional e de corpo; consubstancial [homoousios] ao Pai, segundo a divindade, e consubstancial a nós, segundo a humanidade; “em todas as coisas semelhante a nós, excetuando o pecado”, gerado, segundo a divindade, antes dos séculos pelo Pai e, segundo a humanidade, por nós e para nossa salvação, gerado da Virgem Maria, mãe de Deus [TheotóKos] . Um só e mesmo Cristo, Filho, Senhor, Unigênito, que se deve confessar, em duas naturezas, inconfundíveis e imutáveis, conseparáveis e indivisíveis. A distinção de naturezas de modo algum é anulada pela união, mas, pelo contrário, as propriedades de cada natureza permanecem intactas, concorrendo para formar uma só pessoa e subsistência (hypostasis) ; não dividido ou separado em duas pessoas, mas um só e mesmo Filho Unigênito, Deus Verbo, Jesus Cristo Senhor, conforme os profetas outrora a seu respeito testemunharam, e o mesmo Jesus Cristo nos ensinou e o credo dos padres nos transmitiu.]
Contra o pensamento de Apolinário de que Cristo não teve uma mente humana ou alma, temos a afirmação de que ele era “verdadeiramente homem, constando de uma alma racional e de corpo [...] consubstancial a nós, segundo a humanidade; em todas as coisas semelhante a nós...”.
Em oposição ao pensamento do nestorianismo de que Cristo era duas pessoas unidas em um corpo, temos as palavras “inconfundíveis e imutáveis.., concorrendo para formar uma só pessoa e subsistência (hypostasis) ; não dividido ou separado em duas pessoas”.
Contra o pensamento do eutiquismo de que Cristo tinha somente uma natureza e que sua natureza humana perdeu-se na união com a natureza divina, temos as palavras “em duas naturezas, inconfundíveis e imutáveis, conseparáveis e indivisíveis. A distinção de naturezas de modo algum é anulada pela união, mas, pelo contrário, as propriedades de cada natureza permanecem intactas”. As naturezas divina e humana não foram alteradas quando Cristo se tornou homem, mas a natureza humana permaneceu verdadeiramente humana, e a natureza divina permaneceu verdadeiramente divina.
3. Combinação de textos específicos sobre a divindade e a humanidade de Cristo. Quando examinamos o NT, como fizemos anteriormente nas seções sabre a humanidade e a divindade de Cristo, há diversas passagens que parecem difíceis de harmonizar. (Como poderia Jesus ser onipotente e, todavia, fraca? Coma poderia deixar o mundo e, ainda assim, estar presente em toda a parte? Como poderia aprender coisas e, no entanto, ser onisciente?) À medida que a igreja lutava para entender esses ensinos, finalmente apareceu a Definição de Calcedônia, que falava das duas naturezas distintas em Cristo que retêm sua propriedades características e que, todavia, permanecem juntas em uma só pessoa. Essa distinção, que nos ajuda em nosso entendimento das passagens bíblicas mencionadas anteriormente, também parece ser exigida por essas passagens.
a. Uma natureza faz algumas coisas que a outra natureza não faz. Se quisermos afirmar a Definição de Calcedônia a respeito das “propriedades de cada natureza permanecendo intactas” na pessoa de Cristo, é necessário distinguir entre as coisas feitas pela natureza humana de Cristo, mas não pela natureza divina, ou por natureza divina, mas não por sua natureza humana.
Por exemplo, quando falamos a respeito da natureza humana de Jesus, podemos dizer que ele ascendeu ao céu e não mais está no mundo (Jo 16.28; 17.11; At 1.9-11). Mas, com respeito à sua natureza divina, podemos dizer que Jesus está presente em toda parte: “Pois ande se reunirem dois ou três em meu nome, ali eu estou no meio deles” (Mt 18.20). “E eu estarei sempre com vocês, até afim dos tempos” (Mt 28.20).”Se alguém me ama, obedecerá à minha palavra. Meu Pai o amará, nós viremos a ele e faremos morada nele” (Jo 14.23). Assim, podemos dizer que ambas as coisas são verdadeiras a respeito da pessoa de Cristo — ele retornou ao céu e esta presente conosco.
Semelhantemente, podemos dizer que Jesus tinha 30 anos de idade (Lc 3.23) se falamos de sua natureza humana, mas que ele existia eternamente (Jo 1.1,2; 8.58) se estamos falando de sua natureza divina.Segundo a natureza humana Jesus era fraco e se cansava (Mt .1.2; 8.24; Mc 15.2 1; Jo 4.6), mas em sua natureza divina ele era onipotente (Mt 8.26,27; Cl 1.17; H 1.3). Particularmente notável e a cena do mar da Galiléia, quando Jesus estava dormindo na popa do barco, presumivelmente porque estava cansada (Mt 8.24). Mas acordou do seu sono e acalmou o vento e o mar apenas com uma palavra (Mt 8.26,27)! Cansado e, todavia, onipotente! Aqui a fraqueza da natureza humana de Jesus encobriu completamente sua onipotência até que a onipotência surgiu com a palavra soberana de quem é Senhor do céu e da terra.
De modo semelhante, podemos entender que, em sua natureza humana, Jesus morreu (Lc 23.46; lCo 15.3). Já com respeito à natureza divina, ele mio morreu, mas era capaz de ressurgir dos mortos (Jo 2.19; 10.17,18; Hb 7.16). Todavia, aqui devemos fazer uma observação cautelosa: é verdade que, quando Jesus morreu, o seu corpo físico morreu e sua alma humana (ou espírito) foi separada do corpo, indo para a presença de Deus Pai no céu (Lc 23.43,46). Desse modo ele experimentou a morte que é igual àquela que nós, como crentes, experimentaremos se morrermos antes de Cristo retornar. Não é correto dizer que a natureza humana de Jesus morreu, ou que poderia morrer, se “morrer” significa a cessação de atividade, a cessação de consciência ou a diminuição de poder. Não obstante, em virtude união com a natureza humana, a natureza divina de Jesus de certa forma provou alguma coisa que acontece quando se morre. A pessoa de Cristo experimentou a morte. Alem do mais, parece difícil entender como a natureza humana de Jesus poderia sozinha ter suportado a ira de Deus por causa dos pecados de milhões de pessoas. Parece que a natureza divina de Jesus teve alguma participação em suportar a ira divina contra o pecado que era devido a nós (embora a Escritura em nenhum lugar afirme explicitamente isso). Portanto muito embora a natureza divina de Cristo não tenha realmente morrido, Jesus atravessou a experiência da morte como uma pessoa total, e tanto a natureza humana como a divina de algum modo partilharam dessa experiência. Além disto, a Escritura não nos capacita a dizer mais nada.
A distinção entre as naturezas divina e humana de Jesus também nos ajuda a entender as tentações de Jesus. Com respeito à natureza humana, ele certamente foi tentado de cada forma, como nós somos, todavia sem pecado (Hb 4.15). Com respeito à natureza divina, contudo, ele não foi tentado, parque Deus não pode ser tentado pela mal (Tg 1.13).
b. Qualquer coisa que uma natureza venha a fazer, é a pessoa de Cristo que faz. Na seção anterior, mencionei uma série de coisas que foram feitas por uma natureza, mas não pela outra, na pessoa de Cristo. Agora devemos afirmar que qualquer coisa que seja verdadeira sobre a natureza divina ou sobre a natureza humana é verdadeira sobre a pessoa de Cristo. Assim, Jesus disse: “antes de Abraão nascer, Eu Sou” (Jo 8.58). Ele não disse: “Antes de Abraão nascer, minha natureza divina já existia”, porque ele é livre para falar a respeito de qualquer coisa feita unicamente pela natureza divina ou unicamente pela natureza humana como algo que ele (a pessoa) fez.
Na esfera humana, isso certamente também se aplica ao nosso discurso. Se eu escrevo uma carta, mesmo que meus pés e artelhos não tenham nada que ver com o ato de escrevê-la, não posso dizer às pessoas: “Meus dedos digitaram essa carta no computador, e meus artelhos não tiveram nada que ver com ela” (embora isso seja verdade). Antes, digo às pessoas: “Eu digitei uma carta”. Isso é verdac eira porque qualquer coisa que é feita por uma parte de mim é feita por mim.
Assim, ”Cristo morreu pelos nossos pecados” (1 Co 15.3). Embora realmente somente seu corpo humano tenha cessado de viver e de funcionar, no entanto foi a pessoa de Cristo que morreu pelo nosso pecado. Esse é simplesmente um meio de afirmar que qualquer coisa que possa ser dito de uma natureza ou de outra pode ser dito da pessoa de Cristo.
Portanto, é correto Jesus dizer: “agora deixo o mundo” (Jo 16.28) ou “não ficarei mais no mundo” (Jo 17.11), mas o mesmo tempo dizer: “E eu estarei sempre com vocês” (Mt 28.20).
Qualquer coisa feita por uma natureza ou outra é feita pela pessoa de Cristo.
c. Conclusão. No final desta longa discussão, pode ser fácil perdermos de vista a que é realmente ensinado na Escritura: o mais impressionante milagre de toda a Bíblia — mais espantoso que a ressurreição, e mesmo mais espantoso que a criação do universo, O fato de que o Filho de Deus infinito, onipotente e eterno tornou-se homem e juntou-se à natureza humana para sempre, de modo que o Deus infinito se tornou uma pessoa com a natureza finita do homem, permanecerá pela eternidade o mais profundo milagre e o mistério mais impenetrável de todo o universo.
Autor: Wayne Grudem
Fonte: Teologia Sistemática do autor, Ed. Vida Nova

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A Obediência de Cristo

A Obediência de Cristo
Jesus Cristo cumpriu a vontade redentora de seu Pai
"Mas Jesus respondeu, e disse-lhes: Na verdade, na verdade vos digo que o Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma, se o não vir fazer o Pai; porque tudo quanto ele faz, o Filho o faz igualmente."Jo 5.19
A humildade na Escrituras não significa fingir não ter valor e recusar posição de responsabilidade, mas conhecer e manter o lugar que Deus designou a cada um. Ser humildade é uma elevada questão de adaptar-se ao plano de Deus, quer seja uma elevada posição de liderança (Moisés era humildade como líder, Nm 12.3) ou a obscuridade da subserviência.
Quando Jesus afirmou que era "humilde de coração" (Mt 11.29). Ele quis dizer que estava conscienciosamente seguindo o plano do Pai para sua vida terrena.Nisto Ele estava mantendo seu lugar como segunda Pessoa da Divindade. As três Pessoas da Santa Trindade são eternas e auto-existentes, participando igualmente de todos os aspectos e atributos da Divindade, e sempre agindo juntos em cooperação solidária. Mas o modelo cooperativo imutável é que a segunda e a terceira Pessoas se identificam com o propósito da primeira, de sorte que o Filho se torna o executivo do Pai e o Espírito age como agente de ambos. È da natureza e alegria do Filho fazer a vontade do seu Pai (Jo 3.34).
Com respeito à redenção, a vontade do Pai para o Filho é às vezes chamado pacto de redenção, uma vez que ele tem a forma de um acordo entre duas partes sobre um programa e uma promessa. A Confissão de Westiminster resume o acordo (propósito do Pai aceito pelo Filho), com segue:
Aprouve a Deus, em seu eterno propósito, escolher e ordenar o Senhor Jesus, seu Filho Unigênito, para ser Mediador entre Deus e o homem. o Profeta, Sacerdote e rei, a Cabeça e Salvador de sua igreja, o Herdeiro de todas as coisas e o Juiz do mundo; e deu-lhe desde toda a eternidade uma povo para ser sua semente e para, no tempo devido, ser por ele remido, chamado, justificado, santificado e glorificado. (VIII.I)
(Para confirmação das idéias e frascologia desta declaração ver Ef 3.11; 1 Pe 1.20; 1 Tm 2.5; At 3.22; Hb 5.5,6; Lc 1.33; Ef 5.23; Hb 1.2; At 17.31; is 53.10; Jo 17.6; 1 Co 1.30; Rm 8.29,30)
Este propósito do Pai para o Filho tinha dois estágios. O primeiro estágio foi a humilhação. O Filho eterno abriu mão de sua glória e, mediante a encarnação, tornou-se um pobre homem e um religioso intruso. Finalmente, por meio de um julgamento-exibição e de uma inescrupulosa manipulação da franqueza moral de Pilatos, Ele se tornou um criminoso condenado, sofrendo uma terrível morte como portador do pecado da raça humana (Fp 2.6-8; 2 Co 8.9; Gl 3.13; 4.4,5).
O Segundo estágio foi a exaltação. Cristo ressuscitou, subiu ao céu, e agora, por designação de seu Pai, reina como rei sobre o mundo e a igreja (Fp 2.9-11), enviando o Espírito Santo (Jo 15.26; 16.7; At 2.33) e, por Ele, aplicado a nós a redenção que pela morte conquistou para nós. Atraindo para si aqueles que lhe foram dado (Jo 12.32), intercedendo por eles (Rm 8.34; Hb 7.25; Jo 17), protegendo, guiando e cuidando deles como um pastor cuida de sua ovelhas (Jo 10.27-30), Ele está presentemente trazendo muitos filhos à glória (Hb 2.10), de acordo com o plano do Pai, e Ele continuará a fazer isso até que todos os eleitos de Deus cheguem ao arrependimento e à nova vida (2 Pe 3.9).
Em tudo isto o Filho está obedecendo ao Pai com verdadeira humildade, vivendo uma subordinação natural, voluntária e Jubilosa. Enquanto isto, o objetivo do Pai de ter o Filho adorado e glorificado igualmente com Ele próprio está sendo firmemente realizado (Jo 5.19-23).
Autor: J. I. Packer
Fonte: Teologia Concisa, pg. 112, Ed. Cultura Crista.

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A Subordinação de Cristo

A Subordinação de Cristo
Jo 4.34; Jo 5.30; Fp 2.5-8; Hb 5.8-10; Hb 10.5-10
O que é um subordinado? Em nosso idioma, é claro que ser subordinado a alguém é estar "debaixo" de sua autoridade. Um subordinado não está no mesmo escalão; não está no mesmo nível de autoridade que seu superior. O prefixo sub significa "sob", e super significa "sobre" ou "acima".
Quando falamos da subordinação de Cristo, temos de fazê-lo com grande cuidado. Nossa cultura relaciona subordinação com interiorização. Na Trindade, porém, todos os membros são iguais em natureza, em honra e em glória. Todos os três membros são eternos e auto-existentes; todos compartilham todos os aspectos e atributos da deidade.
No plano redentivo de Deus, entretanto, o Filho voluntariamente assume um papel de subordinação ao Pai. È o Pai quem envia o Filho ao mundo. O Filho obedientemente vem à terra para fazer a vontade do Pai. Temos de ter cuidado, porém, para perceber que não há nenhum senso de obediência relutante. Assim como são o mesmo em glória, o Pai e o Filho também são um na vontade. O Pai deseja a redenção tanto quanto o Filho. O Filho almeja realizar a obre de salvação, assim como o Pai almeja que o faça. Jesus declarou que era consumido de zelo pela casa de sua Pai (Jo 2.17) e que sua comida e bebida era fazer a vontade do Pai (Jo 4.34).
Finalmente, devemos observar que a subordinação e a obediência de Cristo não foram demonstradas apenas em meio ao sofrimento. O plano incluía todos os aspectos da obre de Cristo por nós em sua glorificação final. A confissão de Westiminster explica a inter-relação do propósito do Pai e a obra de Cristo:
Aprouve a Deus, em seu eterno propósito, escolher e ordenar o Senhor Jesus, seu Filho Unigênito, para ser o Mediador entre Deus e o homem, o Profeta, Sacerdote e Rei, o Cabeça e Salvador de sua Igreja, o Herdeiro de todas as coisas e o Juiz do mundo; e deu-lhe, desde toda a eternidade, um povo para ser sua semente, e para, no tempo devido, ser por ele remido, chamado, justificado, santificado e glorificado.
Ao submeter-se à perfeita vontade do Pai, Jesus fez por nós aquilo que não estávamos dispostos a fazer e éramos incapazes de fazer por nós mesmos: obedeceu perfeitamente à Lei de Deus. Em seu batismo, Jesus disse a João Batista: "Assim nos convém cumprir toda a justiça" (Mt 3.15). Toda a vida e o ministério de Jesus demonstraram sua perfeita obediência.
Ao obedecer perfeitamente à Lei, Jesus cumpriu duas coisas vitais e importantíssimas. Por um lado, qualificou-se para ser nosso Redentor, o Cordeiro sem mácula. Se tivesse pecado, ele não poderia fazer expiação pelo seu próprio pecado, muito menos pelos nossos. Segundo, por meio de sua obediência perfeita, ele mereceu as recompensas que Deus prometera a todo aquele que guardasse sia aliança. Jesus mereceu as recompensas celestiais, as quais concedeu a nós. Como o subordinado, Jesus salvou um povo que tinha sido insubordinado.
PAI=FILHO
Iguais no ser e nos atributos eternos
Sumário
1. Embora Cristo seja igual ao Pai em termos de natureza divina, é subordinando ao Pai em seu papel na redenção.
2. Subordinação não significa "inferioridade".
3. A subordinação de Cristo é voluntária.
4. A obediência perfeita de Cristo o qualificou para carregar os pecados do seu povo e para merecer as recompensas celestiais prometidas aos remidos.
PAI
o Filho se subordina na obra da Redenção
FILHO
Autor: R.C. Sproul
Fonte: Verdades Essências da fé Crista, ed. Cultura Cristã, caderno 1, pg. 71.

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A subordinação do Filho não significa que sua Divindade seja categoria inferior.

A subordinação do Filho não significa que sua Divindade seja categoria inferior.
por João Calvino
A objeção que fazem, quando dizem que se Cristo é Deus, não tem sentido dizer-se que Ele é o Filho de Deus, pois, neste caso, estabelece-se comparação de uma pessoa com outra (na divindade), caso em que não se toma o termo Deus sem dar-lhe um sentido particular. Ao contrário (nesse caso) o sentido do termo Deus restringe-se ao Pai, por ser Ele o princípio da deidade - não com se confesse essência ao Filho e ao Espírito, como afirmam os fanáticos -, mas por causa da ordem hipostática. E nesse sentido que se tomam as palavras de Cristo em relação ao Pai: "Esta é a vida eterna que creiam em Ti(como) o único Deus verdadeiro e em Jesus Cristo, a quem Tu enviaste" (Jo 17.3). Ora, na condição de Mediador, Cristo mantém uma posição intermédia entre Deus e os homens, porém, nem por isso sua majestade é diminuída! Pois ainda que se tenha esvaziado a Si Mesmo (Fl 2.7), contudo, sua glória - que esteve escondida do mundo -, Ele não a perdeu junto ao Pai. Por isso o Apóstolo, na Carta aos Hebreus (1.10 e 2.9), embora reconheça que Cristo tenha sido diminuído à condição de inferioridade em relação aos anjos, não hesita, entretanto, ao mesmo tempo, em afirmar que Cristo é o Deus eterno, que lançou os fundamentos do céu e da terra! Devemos, portanto, sustentar que todas as vezes que Cristo, na qualidade de Mediador, se dirige ao Pai, a sua divindade está compreendida no designativo Deus, que traduz também a divindade do próprio Cristo. Assim, quando Cristo dizia aos Apóstolos: "Convém que Eu suba ao Pai, porque o Pai é maior do que Eu" (Jo 14.28 e 16.7), não está atribuindo a Si Mesmo uma divindade secundária - como se fosse inferior ao Pai no que respeita a essência eterna -, mas diz isso porque, Mediador que possui a glória celeste, diz com que os fiéis participem dessa glória! Coloca o Pai em posição superior até onde a notável perfeição de esplendor, que se patenteia no céu, difere desta medida da glória que se manifestou nEle, quando revestido da carne. E Paulo, pela mesma razão, diz em outro lugar (1 Co 15.4,28) que Cristo haverá de entregar o Reino ao Deus e Pai, para que Deus seja tudo em todas as coisas"
Nada é mais absurdo do que despojar Cristo de sua perpétua divindade. Ora, se Cristo nunca deixará de ser o Filho de Deus, mas, ao contrário, permanecerá sempre o mesmo como foi desde o princípio, concluímos que, sob o nome de Pai, compreende-se a essência única e Deus, essência que é comum a ambos, Pai e Filho! E, de fato, Cristo desceu até nós para, elevando-nos até o Pai, nos elevasse a Si Mesmo ao mesmo tempo, porque Ele é um com o Pai! Portanto, não é justo nem restringir o termo Deus exclusivamente ao Pai, negando-o ao Filho! Aliás, João, por esta mesma razão, afirma que Jesus é o verdadeiro Deus (Jo 1.1,20) e nem pensa situá-lo num segundo grau de deidade, abaixo do Pai. Fico perplexo com o que pretendem esses fabricantes de novos deuses quando, depois de confessarem a Cristo como verdadeiro Deus, prontamente o excluem da deidade do Pai! E fazem isto como se uma divindade infundida de outra parte fosse outra coisa senão uma imaginação.
Fonte: Institutas, livro 1, cap. 13, pág. 35

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Nascimento virginal

Nascimento virginal
Quando falamos da humanidade de Cristo, convém começar pela consideração sobre o nascimento virginal de Cristo. A Escritura assevera claramente que Jesus foi concebido no ventre de sua mãe, Maria, por uma obra miraculosa do Espírito Santo, sem pai humano.
“foi assim o nascimento de Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, mas, antes que se unissem, achou-se grávida pelo Espírito Santo” (Mt 1.18). Logo em seguida o anjo do Senhor disse a José, que era comprometido com Maria: “José, filho de Davi, não tema receber Maria como sua esposa, pois o que nela foi gerado procede do Espírito Santo” (Mt 1.20). Então, lemos: “Ao acordar, José fez o que o anjo do Senhor lhe tinha ordenado e recebeu Maria como sua esposa. Mas não teve relações com ela enquanto ela não deu à luz um filho. E ele lhe pôs o nome de Jesus” (Mt 1.24,25).
O mesmo fato é afirmado no evangelho de Lucas, onde lemos a respeito da aparição do anjo Gabriel a Maria. Após o anjo ter-lhe dito que ela teria um filho, Maria disse: “Como acontecerá isso, se sou virgem?” O anjo respondeu: “O Espírito Santo virá sobre você, e o poder do Altíssimo a cobrirá com a sua sombra. Assim, aquele que há de nascer será chamado Santo, Filho de Deus” (Lc 1. 34,35; cf. 3.23).
Só essa afirmação da Escritura sobre o nascimento virginal de Cristo já nos dá a autorização suficiente para abraçar essa doutrina. Contudo, há também algumas implicações doutrinárias cruciais do nascimento virginal que ilustram sua importância. Podemos vê-las ao menos em três áreas:
a. Ela mostra que em última instância a salvação vem do Senhor, O nascimento virginal de Cristo é o lembrete inconfundível do fato de que a salvação não pode nunca vir por intermédio do esforço humano, mas deve ser obra sobrenatural de Deus. Esse fato estava evidente já no começo da vida de Jesus: ‘Mas, quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo da Lei [...] para que recebêssemos a adoção de filhos” (Gl 4.4,5).
b. O nascimento virginal tornou possível a união da plena divindade com a plena humanidade em uma só pessoa. Esse foi o meio que Deus usou para enviar seu Filho (Jo 3.16; Gl 4.4) ao mundo como homem. Se pensarmos por um momento em outros modos possíveis pelos quais Cristo poderia ter vindo ao mundo, nenhum deles seria claramente a união entre divindade e humanidade em uma pessoa. Provavelmente teria sido possível Deus criar Jesus como ser humano completo no céu e enviá-lo do céu para a terra sem o concurso de qualquer progenitor humano. Mas assim seria muito difícil vermos como Jesus poderia ser plenamente humano como nós somos. Por outro lado, provavelmente também teria sido possível Deus enviar Jesus ao mundo com dois pais humanos, tanto o pai como a mãe, e fazer unir miraculosamente sua plena natureza divina à natureza humana em algum ponto, bem no começo de sua vida. Mas assim seria difícil entendermos como Jesus poderia ser plenamente Deus, já que sua origem seria igual a nossa em cada detalhe. Quando pensamos nessas duas outras possibilidades, isso nos ajuda a entender como Deus, em sua sabedoria, ordenou a combinação da influência humana e divina no nascimento de Cristo, de forma que sua plena humanidade seria evidente a partir de seu nascimento humano comum procedente de uma mãe humana, e a sua plena divindade seria evidente a partir do fato de sua concepção no ventre de Maria pela obra poderosa do Espírito Santo.
c. O nascimento virginal também torna possível a verdadeira humanidade de Cristo sem o pecado herdado. Como já observamos no capítulo 14, todos os seres humanos herdaram do primeiro pai, Adão, a culpa legal e a corrupção da natureza moral. Mas o fato de que Jesus não teve um pai humano significa que a linha de descendência de Adão é parcialmente interrompida. Jesus não descendeu de Adão exatamente da mesma forma que quaisquer outros seres humanos descenderam de Adão. Isso nos ajuda a entender por que a culpa legal e a corrupção moral que pertencem a todos os outros seres humanos não pertencem a Cristo.
Mas por que Jesus não herdou a natureza pecaminosa de Maria?
A Igreja Católica Romana responde a essa pergunta dizendo que a própria Maria foi livre do pecado, mas a Escritura em nenhum lugar ensina tal doutrina, que aliás não resolveria o problema de forma alguma (pois por que, então, Maria não teria herdado o pecado de sua mãe?). Uma solução melhor é dizer que a obra do Espírito Santo em Maria deve ter evitado não somente a transmissão do pecado de José (por Jesus não ter tido um pai humano), mas também, de modo miraculoso, a transmissão do pecado de Maria: “O Espírito Santo virá sobre você [...] Assim, aquele que há de nascer será chamado Santo, Filho de Deus” (Lc 1.35).
‘Essa tradução do texto grego ("Assim, aquele que há de nascer será chamado Santo, Filho de Deus”) é melhor do que a feita pela ARC e pela RA (“por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus”). Ela é melhor porque outros exemplos da literatura antiga mostram que a expressão grega to gennōmenon deve ser entendida como “a criança por nascer”
Autor: Wayne Grudem
Fonte: Teologia Sistemática do autor, Ed. Vida Nova

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O Verbo se fez Carne

O Verbo se fez Carne
“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (João 1:14).
[Leia Lucas 1:1-56]
Nenhuma mente pode jamais compreender, nem língua terrena descrever, o grande mistério da piedade: “Deus se manifestou em carne”. Aquele bebê nascido em Belém é próprio Deus eterno. Embora Ele fosse dependente do leito do seio de Sua mãe para viver, Ele é o Deus que formou os seios que O amamentavam. Embora Maria O segurasse em seus braços, Ele é o Deus que sustenta todas as coisas pela palavra do Seu poder. Embora Ele tenha aprendido a andar e falar, e tenha crescido como qualquer outra criança, Ele é o Deus onisciente e onipotente. Embora Ele tenha vivido como um homem em obediência deliberada, voluntária e perfeita à lei, Ele é o Deus que deu a lei à Moisés. Embora Ele tenha morrido sob a penalidade da lei como um homem em lugar de pecadores, aquele homem que morreu é Deus!
Por que Cristo nasceu? Por que o Filho de Deus assumiu a humanidade? “Esta é uma palavra fiel e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores”' (1 Timóteo 1:15). Atanásio disse: “Cristo se tornou o que nós somos para que Ele pudesse nos tornar o que Ele é”. O Filho de Deus se tornou Filho do homem para este propósito: para que os filhos dos homens possam se tornar filhos de Deus. A. W. Tozer colocou isso da seguinte forma: “A majestade terrível da Deidade foi misericordiosamente envolvida no frágil envelope da natureza humana para proteger a humanidade”.
O nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, se tornou um homem porque não era possível para Deus salvar pecadores de qualquer outra forma. Para ser o nosso Salvador, foi necessário que o próprio Deus se tornasse um de nós, osso dos nossos ossos e carne da nossa carne. Fosse Ele somente Deus, nunca poderia ter sofrido a punição do pecado como o nosso Substituto. Fosse Ele somente homem, nunca poderia satisfazer a ira e justiça infinita de Deus contra o pecado. Mas Aquele que é tanto Deus como homem, em uma pessoa gloriosa, tanto sofreu como satisfez a penalidade da lei como o Substituto do pecador.
Embora eu não possa entender nem explicar completamente a maravilha e o mistério da Sua pessoa, eu posso e na verdade confio naquele homem que é Deus como meu único e todo-suficiente Salvador. Visto que Deus se tornou homem e sofreu no lugar de homens, Ele é capaz de salvar todos que confiam nEle.
Autor: Don Fortner
Traduzido por: Felipe Sabino de Araújo Neto
Cuiabá-MT, 29 de Junho de 2005.
Acervo Monergismo

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Jesus Cristo como o Unigênito

Jesus Cristo como o Unigênito
Jo 1.1-18; Cl 1.15-19; Hb 1.1-14
"Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou." Jo 1.18
A referência bíblia a Jesuso unigênito do Pai" (Jo 1.14) têm provocado grandes controvérsias na história da Igreja. Devido ao fato de Jesus ser chamado também de "o primogênito de toda a criação" (Cl 1.15), tem-se argumentado que a Bíblia ensina que ele não é divino, e, sim, uma criatura exaltada.
As testemunhas de Jeová e os Mormons negam a divindade de Cristo apelando para esses conceitos. É principalmente devido a essa negação da divindade de Cristo que esses grupos sãos considerados como seitas e não como denominações cristãs.
A divindade de Cristo tornou-se uma questão crucial no século IV, quando o herege Ário negou a Trindade. O principal argumento dele contra a divindade de Cristo antecipou os argumentos atuais das Testemunhas de Jeová e dos Mórmons. Ário foi condenado como herege no Concílio de Nicéia no ano 325 d.C.
Ário alegava que a palavra grega traduzida por "unigênito" significa "acontecer", "tornar-se", ou "começar a ser". Aquilo que é gerado deve ter um início no tempo. Tem de ser finito com relação ao tempo, que é um sinal da condição de criatura. Ser o "primogênito de toda a criação' pressupõe o nível supremo da condição de criatura, uma categoria, mas que os anjos, mas não vai além do nível de criatura é digna de adoração. Ário via a atribuição de divindade a Jesus Cristo como uma blasfêmia e rejeição do monoteísmo bíblico. Para Ário, Deus deve ser considerado como ”um", tanto no ser como em pessoa.
O Credo de Nicéia reflete a resposta da Igreja à heresia ariana. Confessa que Jesus era "gerado, não criado". Nesta fórmula simples a Igreja demonstrava zelo em se proteger contra a idéia de interpretar o termo unigênito significado ou implicando um condição de criatura.
Alguns historiadores têm falhado em relação ao Concílio de Nicéia, engajando-se na defesa especial ou no exercício da ginástica mental ao fugirem do significado claro e simples da palavra grega, unigênito, e da frase “primogênito de toda a criação”. A igreja, porém, não fugiu arbitrariamente do significado simples desses termos. Havia bases justificáveis para proteger o termo unigênito com qualificativo "não criado".
Primeiro, a igreja estava procurando entender esses termos no contexto total do ensino bíblico concernente à natureza de Cristo. Convencida de que o Novo Testamento claramente atribui divindade a Cristo, a Igreja se pôs contra lançar uma parte das Escrituras contra outras.
Segundo, embora o Novo Testamento fosse escrito na língua grega a maioria das formas de pensamentos e conceitos está saturada de significados hebraicos. Os conceitos hebraicos são expressos por meios do veículo da língua grega. Este fato soa como uma advertência contra a interpretação muito literal com base nas difíceis nuanças do grego clássico. Assim como João usa o termo logos para referir-se a Jesus, seria um erro saturar esse termo exclusivamente com as idéias gregas associadas ao uso da palavra.
Terceiro, o termo unigênito é usado numa forma modificada no Novo Testamento. Em João 1.14 Jesus é referido como "o unigênito do Pai". Em algumas traduções, em João 1.18 ele chamado de o "Filho unigênito", Existem evidências significativas nos manuscritos que sugerem que o original grego dizia "o Deus unigênito". Tivesses esse texto sido aceito, acabaria o debate. Entretanto, se tratarmos o texto com redigido "o Filho unigênito", ainda teremos um modificador crucial. Jesus é chamado o único gerado (gr. monogenais). O prefixo mono no grego é mais forte do que a palavra único em nosso idoma. Jesus é absolutamente singular em sua genitural. Ele é o único gerado. Ninguém ou nenhum outro é gerado no sentido como Jesus o foi. O fato de a Igreja falar sobre Jesus como o eterno unigênito é uma tentativa de fazer justiça a isso. O Filho procede eternamente do Pai, não como criatura, mas como a Segunda Pessoa da Trindade.
O livro de Hebreus, que também refere-se a Jesus como sendo o "gerado" (Hb 1.5), talvez seja a epístola que nos fornece a mais elevada Cristologia encontrada no Novo Testamento. O único livro que rivaliza com Hebreus nesse aspecto é o Evangelho de João. è João quem claramente chama Jesus de "Deus". Também é João quem fala de Cristo como o "unigênito".
Finalmente, a frase "primogênito de toda a criação" deve ser entendida a luz do contexto da cultura judaica do século I. Deste ponto de vista, podemos ver que o termo primogênito refere-se à condição exaltada de Cristo como o herdeiro do Pai. Assim como o filho primogênito geralmente recebia a herança patriarcal, assim Jesus, como o divino Filho, recebe o reino do Pai como herança.
Sumário
1.
O Fato de Jesus ser chamado “O unigênito do Pai” e de “primogênito de toda a criação tem criado controvérsias na história da igreja quanto à sua divindade.
2.
Testemunhas de Jeová e os Mórmons usam tais passagens para negar a divindade de Cristo.
3.
o Credo de Nicéia claramente expressa que Jesus era "gerado, não criado". Essa distinção cuidadosa era um reflexo da afirmação do Novo Testamento da divindade de Cristo.
4.
Jesus é chamado "o unigênito do Pai”. Jesus é o único gerado do Pai, não como criatura, mas como o eterno Filho de Deus, a Segunda Pessoa da Trindade.
5. O termo primogênito deve ser entendido a luz do contexto da cultura judaica do século I. Jesus é o primogênito de toda a criação no sentido de que ele é o herdeiro de tudo aquilo que pertence ao Pai.
Autor: R. C. Sproul
Fonte: 1º Caderno Verdades Essenciais da Fé Cristã – R.C.Sproul. Editora Cultura Cristã.

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A impecabilidade de Jesus

A impecabilidade de Jesus
Jesus Cristo era totalmente isento de pecado
"[Cristo] ... não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano." 1 Pe 2.22
O Novo Testamento insiste que Jesus era totalmente isento de pecado ( Jo 8.46; 2 Co 5.21; Hb 4.15; 7.26; 1 Pe 2.22; 1 Jo 3.5). Isto quer dizer que não somente Ele nunca desobedeceu a seu Pai, mas que amava a lei de Deus e sentia sincero prazer em cumpri-la. Nos seres humanos degradados há sempre alguma relutância em obedecer a Deus, e algumas vezes ressentimento que se transforma em ódio diante das alagações que Ele faz sobre nós (Rm 8.7). Mas a natureza moral de Jesus era inocente, com foi a de Adão antes de seu pecado, e em Jesus não havia nenhuma inclinação de afastar-se de Deus que permitisse a Satanás tirar proveito de todo seu coração, mente, alma e força.
Hebreus 4.15 diz que Jesus foi "tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado". Isto significa que todas as tentações que enfrentamos - para satisfazer erradamente os desejos natura os do corpo e da mete, evitar assuntos morais e espirituais, desviar-se da moral e buscar caminhos fáceis, ser menos do que amável, solidário e bondoso para como os outros, tornar-se autoprotetor e autocomiserativo etc. - vieram sobre Ele, mas Ele não cedeu a nenhuma delas. A oposição opressora não o subjugou, e diante da agonia do Getsêmani e da cruz lutou contra a tentação e resistiu ao pecado, a ponto de ter seu sangue derramado. Os crentes devem aprender com Ele a proceder da mesma maneira (Hb 12.3-13; Lc 14.25-33)
A impecabilidade de Jesus era necessária para a nossa salvação. Não fosse Ele " um cordeiro sem defeito e sem mácula", seu sangue não teria sido "precioso" (1 Pe 1.19). Ele mesmo teria necessitado de um salvador, e sua morte não nos teria redimido. Sua obediência ativa (perfeita conformidade permanente à lei de Deus para a raça humana, e à sua vontade revelada para o Messias) qualificou Jesus a tornar-se nosso Salvador ao morrer por nós sobre a cruz. A obediência passiva de Jesus (suportando o castigo da lei violada de Deus como nosso substituto imaculado) coroou sua obediência ativa para assegurar o perdão e aceitação daqueles que colocaram sua fé nele (Rm 5.18,19; 2 Co 5.18-21; Fp 2.8; Hb 10.5-10)
Autor: J. I. Packer
Fonte: Teologia Concisa, pg. 110, Ed. Cultura Crista.

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Provas Bíblicas da Impecabilidade da Humanidade de Cristo

Provas Bíblicas da Impecabilidade da Humanidade de Cristo
Atribuímos a Cristo não somente integridade natural, mas também moral, ou perfeição moral, isto é, impecabilidade. Significa não apenas que Cristo pode evitar o pecado (potuit non peccare), e que de fato evitou, mas também que Lhe era impossível pecar (non potuitpeccare), devido à ligação essencial entre as naturezas humana e divina. A impecabilidade de Cristo foi negada por Martineau, Irving, Menken, Holsten e Pfleiderer, mas a Bíblia dá claro testemunho dela nas seguintes passagens:
Lc 1.35; E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus.
Jo 8.46; Quem dentre vós me convence de pecado? E se vos digo a verdade, por que não credes?
Jo 14.30; Já não falarei muito convosco, porque se aproxima o príncipe deste mundo, e nada tem em mim;
2 Co 5.21; Équele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus.
Hb 4.15; Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado.
Hb 9.14; Quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?
1 Pe 2.22; O qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano.
1 Jo 3.5. E bem sabeis que ele se manifestou para tirar os nossos pecados; e nele não há pecado.
Apesar de Jesus ter-se feito pecado judicialmente, todavia, eticamente estava livre tanto da depravação hereditária como do pecado fatual. Ele jamais se fez confissão de erro moral; tampouco se juntou aos Seus discípulos na oração: “perdoa as nossas dívidas” (os nossos pecados). Ele pôde desafiar os Seus inimigos a convencê-lo de pecado. A Escritura até O apresenta como pessoa em quem se realizou o ideal moral,
Hb 2.8,9 Todas as coisas lhe sujeitaste debaixo dos pés. Ora, visto que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou que lhe não esteja sujeito. Mas agora ainda não vemos que todas as coisas lhe estejam sujeitas. Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos.
1 Co 15.45; Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante.
2 Co 3.18; Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor.
Fp 3.21. Que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas.
Além disso, o nome “Filho do Homem”, do qual se apropriou, parece dar a entender que Ele correspondeu ao perfeito ideal de humanidade.
Autor: Louis Berkhof
Fonte: Teologia Sistemática do Autor, Ed. Cultura Cristã.

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Jesus como Mediador

Jesus como Mediador
Rm 8.33,34; 1 Tm 2.5; Hb 7.20-25; 9.11,12
"Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem." 1 Tm 2.5
Um mediador é um intermediário. É aquele que fica entre duas ou mais pessoas ou grupos e disputa e tenta promover sua reconciliação. Em termos bíblicos, os seres humanos são descritos como vivendo em inimizade contra Deus. Nós nos rebelamos, no revoltamos e nos recusamos obedecer à Lei de Deus. Como resultados, a ira de Deus permanece sobre nós. Para que esta situação catastrófica seja mudada ou remediada, é necessário no reconciliarmos com Deus.
Para efetuar nossa reconciliação, Deus o Pai designou e enviou seu Filho para ser nosso Mediador. Cristo traz a nós nada menos que a majestade divina do próprio Deus - ele é o Deus encarnado. Para isso, ele tornou para si uma natureza humana e voluntariamente submeteu-se ás exigências da Lei de Deus.
Cristo não iniciou a reconciliação tentando persuadir o Pai a deixar de lado sua ira. Pelo contrário, no conselho eterno da Deidade houve completo concordância entre o Pai e o Filho de que este deveria vir como Mediador. Nenhum anjo poderia representar Deus adequadamente em relação a nós; somente o próprio Deus poderia fazê-lo.
Na encarnação, o Filho tornou para si a natureza humana a fim de efetuar a redenção da descendência caída de Adão. Por meio da sua perfeita obediência, Cristo satisfez as exigências da lei de Deus e mereceu a vida eterna para nós. Por sua submissão à morte expiatória na cruz, ele satisfez as exigências da ira de deus contra nós. Positivamente e negativamente Cristo satisfez os requerimentos divinos para a reconciliação. Estabeleceu para nós uma nova aliança com Deus por meio do seu sangue e continua a interceder por nós diariamente como nosso Sumo Sacerdote.
Um mediador eficiente é aquele capaz de gerar a paz entre as partes em conflito ou inimizades. Este foi o papel que Jesus desempenhou como nosso perfeito Mediador. Paulo declarou que temos paz com Deus através da obra de Cristo de reconciliação:"Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo" Rm 5.1
A obra medianeira de Cristo é superior a de todos os outros mediadores. Moisés foi mediador da antiga aliança. Serviu como intermediário de Deus, dando a lei aos israelitas. Jesus, porém, é superior a Moisés. O autor de Hebreus declara:
"Porque ele[Jesus] é tido por digno de tanto maior glória do que Moisés, quanto maior honra do que a casa tem aquele que a edificou. Porque toda a casa é edificada por alguém, mas o que edificou todas as coisas é Deus. E, na verdade, Moisés foi fiel em toda a sua casa, como servo, para testemunho das coisas que se haviam de anunciar; Mas Cristo, como Filho, sobre a sua própria casa; a qual casa somos nós, se tão somente conservarmos firme a confiança e a glória da esperança até ao fim." Hb 3.3-6
Sumário
1. Um mediador age para promover a paz entre a partes inimizadas.
2.
Cristo, como deus-Homem nos reconcilia com o Pai.
3. Cristo e o Pai estão concordes, desde a eternidade, de que Cristo seria nosso Mediador.
Autor: R. C. Sproul
Fonte: 1º Caderno Verdades Essenciais da Fé Cristã
4. A obra medianeira de Cristo é superior à dos profetas, dos anjos e de Moisés.

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Sacrifício

Sacrifício
Jesus Cristo fez-se Expiação por nosso pecado
"A quem (Jesus Cristo) Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé... " Rm 3.25
Expiação significa consertar, apagar a ofensa e dar satisfação por erros cometidos, reconciliando assim as pessoas separadas e restaurando entre elas a relação rompida.
A Escritura menciona todos os seres humanos como necessitados de reparação de seus pecados, porém faltos de todo o poder e recursos para fazê-lo. Ofendemos nosso santo Criador, cuja natureza é odiar o pecado (Jr 44.4; Hc 1.13) e puni-lo (Sl 5.4-6; Rm 1.18; 2.5-9). Nenhuma aceitação haverá da parte desse Deus, ou comunhão com Ele, a menos que a reparação se faça, e considerando que há pecado mesmo em nossas melhores ações, qualquer coisa que façamos na esperança de repará-lo pode somente agravar nossa culpa ou piorar nossa situação. Isto torna danosa a insensatez de procurar instituir uma justiça própria diante de Deus (Jô 15.14-16; Rm 10-2, 3); isto simplesmente não pode ser feito.
Entretanto, contra este pano de fundo da desesperança humana, a Escritura anuncia o amor, a graça, a misericórdia, a piedade, a bondade e a compaixão de Deus _ o Criador ofendido, que provê em si mesmo a expiação que aquele pecado tornou necessária. Esta maravilhosa graça é o centro focal da fé, esperança, adoração, ética e vida espiritual do Novo Testamento; de Mateus ao Apocalipse ela refulge com opulenta glória.
Quando Deus tirou Israel do Egito, Ele instituiu como parte do relacionamento pactual um sistema de sacrifícios que tinha no seu centro o derramamento e oferta do sangue de animais sem defeito “para fazer expiação para vossas almas” (Lv 17.11). Esses sacrifícios eram típicos (isto é, tipos, pois apontavam para algo mais adiante). Embora os pecados fossem, de fato, “deixados impunes” (Rm 3.25) quando os sacrifícios eram oferecidos fielmente, o que efetivamente os apagava não era o sangue do animal (Hb 10.11), mas o sangue do antítipo, o Filho de Deus sem pecado, Jesus Cristo, cuja morte na cruz fez expiação por todos os pecados cometidos antes do evento, bem como por todos os pecados cometidos depois dele (Rm 3.2526; 4.3-8; Hb 9.11-15).
As referências do Novo Testamento ao sangue de Cristo são comumente sacrificiais (por exemplo, Rm 3.25; 5.9 Ef 1.17; Ap 1.5). Como sacrifício perfeito pelo pecado ( Rm 8.3; Ef 5.2; 1 Pe 1.18,19), a morte de Cristo foi nossa redenção (isto é, nosso livramento por resgate: o pagamento de um preço que nos tornou livres do perigo da culpa, escravidão ao pecado e expectativa da ira; Rm 3.24; Gl 4.4,5; Cl 1.14). A morte de Cristo foi o ato de Deus de reconciliar-nos com Ele, superando sua própria hostilidade contra nós, provocada pelo pecado (Rm 5.10; 2 Co 5.18,19; Cl 1.20-22). A Cruz foi a propiciação de Deus (isto é, aplacou sua ira contra nós pela expiação de nossos pecados e, assim, os removeu de sua vida). Os textos-chave aqui são Romanos 3.25; Hebreus 2.17; 1 João 2.2 e 4.10, em todos os quais o grego expressa explicitamente a propiciação. A cruz tinha seu efeito propiciatório, porque em seu sofrimento Cristo assumiu nossa identidade, por assim dizer, e suportou o julgamento retribuidor a nós destinado (“a maldição da lei”, Gl 3.13), como nosso substituto, em nosso lugar, com o registro condenatório pregado por Deus em sua cruz como uma relação dos crimes pelos quais Ele estava então morrendo (Cl 2.14; cf Mt 27.37; Is 53.4-6; Lc 22.37).
A morte expiatória de Cristo ratificou a inauguração da nova aliança, pela qual o acesso a Deus em todas as circunstâncias é garantido pelo só sacrifício de Cristo, que cobre todas as transgressões (Mt 26.27,28; 1 Co 11.25; Hb 9.15; 10.12-18). Aqueles que pela fé em Cristo receberam a reconciliação, nele são “feitos justiça de Deus” (2 Co 5.21). Em outras palavras, eles são justificados e recebem o status de filhos adotivos na família de Deus (Gl 4.5). Depois disto, vivem sob o amor motivador de Cristo para com eles, o qual os constrange e controla, amor que se fez conhecido e medido pela cruz (2 Co 5.14).
Autor: J. I. Packer
Fonte: Teologia Concisa, Ed. Cultura Crista.

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Três Razões pelas quais Cristo Sofreu e Morreu [1]

Três Razões pelas quais Cristo Sofreu e Morreu [1]
Romanos 6.1-14
Introdução
Encerrando este trimestre que trata de temas da atualidade, após ter abordado questões de nosso cotidiano que nos afligem e aprender como lidar com elas estudando a Palavra de Deus, é importante que tenhamos em mente a "velha história". A história que parecemos saber de cor, mas de que nos esquecemos com freqüência. A história de Jesus morto na cruz em nosso lugar.
Afinal, por que Jesus sofreu e morreu e que relevância tem isso para mim hoje? Fazer essa conexão é fundamental. John Piper escreveu um livro chamado A paixão de Cristo em que ele enumera 50 razões, ou propósitos, pelas quais Cristo sofreu e morreu. Veremos três delas nesta lição. Jesus sofreu e morreu...
I. Para que morramos para o pecado e vivamos para a justiça
“... carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça" 1 Pedro 2.24
Por mais estranho que pareça, a morte de Cristo em nosso lugar e por nós significa que nós morremos. Talvez alguém pense que ter um substituto para morrer em seu lugar significa que ele escapa da morte. É claro que escapamos da morte. Da morte eterna de miséria sem fim e separação de Deus. Jesus disse: "Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão" ao 10.28). "Todo o que vive e crê em mim não morrerá, eternamente" ao 11.26). A morte de Jesus realmente significa que todo o que nele crê não perece, mas tem a vida eterna ao 3.16).
Mas existe outro sentido em que morremos precisamente porque Cristo morreu em nosso lugar e por nossos pecados. "Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados..." (lPe 2.24). Ele morreu para que vivamos; e morreu também para que morrêssemos. Quando Cristo morreu, eu, como crente em Cristo, morri com ele. A Bíblia é clara: "fomos unidos com ele na semelhança da sua morte" (Rm 6.5). "Um morreu por todos; logo, todos morreram" (2Co 5.14).
A fé é a evidência de que estamos unidos em Cristo dessa maneira profunda. Os crentes foram "crucificados com Cristo" (GI 2.20). Olhamos para trás, para sua morte, sabendo que na mente de Deus nós estávamos lá. Nossos pecados estavam sobre ele e a morte que merecíamos acontecia nele. O batismo significa essa morte com Cristo. "Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo" (Rm 6.4). A água é como um túmulo. recebê-la é um retrato da morte. Tê-Ia recebido é retrato de nova vida. E tudo isso é um retrato do que Deus está fazendo "pela fé". "Tendo sido sepultados com ele no batismo, fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos" (Cl 2.12).
Sendo assim, ser cristão significa morte para o pecado. O velho eu que amava o pecado morreu com Jesus. O pecado passa a ser como uma prostituta que não é mais bonita. Ela é quem matou o meu Rei e a mim mesmo. Assim, o crente está morto para o pecado, não é mais dominado por seus atrativos. O pecado, a prostituta que matou meu amigo, não tem mais apelo. Tornou-se meu inimigo.
Agora em novidade de vida sou movido pela justiça. "Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós... vivamos para a justiça" (1 Pe 2.24). A beleza de Cristo, que me amou e se entregou por mim, é o desejo de minha alma. E sua beleza é a justiça perfeita. O mandamento que agora amo obedecer é este (e eu o convido a atender comigo este mandamento): "... oferecei-vos a Deus, como ressuscitados dentre os mortos, e os vossos membros, a Deus, como instrumentos de justiça" (Rm 6.13).
II. Para que morramos para a lei e frutifiquemos para Deus
"... meus irmãos, também vós morrestes relativamente à lei, por meio do corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, a saber, aquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que frutifiquemos para Deus." Romanos 7.4
Quando Cristo morreu por nós, nós morremos com ele. Deus olhou para nós que cremos como quem está unido a Cristo. Sua morte por nossos pecados foi nossa morte nele. Mas o pecado não foi a única realidade que matou a Jesus e a nós. A lei de Deus também o fez. Quando quebramos a lei pelo pecado, a lei nos sentencia à morte. Se não houvesse lei, não haveria castigo. Onde não há lei, também não há transgressão (Rm 4.15). Mas "... tudo o que a lei diz, aos que vivem na lei o diz para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus" (Rm 3.19).
Não havia como escapar da maldição da lei. Ela era justa e nós éramos culpados. Só havia um modo de nos libertar. Alguém tinha de pagar a pena. Foi para isso que veio Jesus. "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar" (Gl 3.13).
Sendo assim, a lei de Deus não pode nos condenar se estivermos em Cristo. Seu domínio sobre nós é duplamente quebrado. Por um lado, as exigências da lei foram cumpridas por Cristo em nosso favor. Ele guardou perfeitamente a lei e isso foi creditado em nossa conta. Por outro lado, a penalidade da lei foi paga pelo sangue de Cristo.
É por isso que a Bíblia ensina claramente que estar bem com Deus não é questão de guardar a lei. "Ninguém será justificado diante dele por obras da lei" (Rm 3.20). "O homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus" (G12.16). Não existe esperança de estar em paz com Deus por guardar a lei. A única esperança está no sangue e na justiça de Cristo, que é nossa somente pela fé. "Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei" (Rm 3.28).
Como, então, podemos agradar a Deus, se nos encontramos mortos para sua lei e ela não mais nos domina? A lei não é a expressão da boa e santa vontade de Deus? (Rm 7.12). A resposta bíblica é que, em vez de pertencermos à lei, que exige e condena, agora pertencemos a Cristo, que exige e concede. Anteriormente, a justiça nos era exigida do lado de fora, em letras escritas na pedra. Mas agora a justiça surge de dentro de nós como um desejo no nosso relacionamento com Cristo. Ele está presente e é real. Pelo seu Espírito ele nos auxilia em nossa fraqueza. Uma pessoa viva substituiu uma lista letal. "A letra mata, mas o espírito vivifica" (2Co 3.6).
Por essa razão a Bíblia diz que o novo caminho da obediência é frutificador, e não guardador da lei. "... meus irmãos, também vós morrestes relativamente à lei, por meio do corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, a saber, aquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que frutifiquemos para Deus" (Rm 7.4).
III. Para nos capacitar a viver para Cristo e não para nós mesmos
"Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória." João 17.24
"Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou." 2 Coríntios 5.15
Muitas pessoas se perturbam com a idéia de que Cristo morreu para exaltar a Cristo. Em sua essência, 2 Coríntios 5.15 diz que Cristo morreu para que vivamos por ele. Noutras palavras, ele morreu por nós para que nós o valorizemos muito. Ou seja, Cristo morreu para Cristo.
Ora, isso é verdade. Não é um jogo de palavras. A essência do pecado é que não conseguimos glorificar a Deus. Isso inclui não glorificar ao Filho (Rm 3.23). Mas Cristo morreu para levar sobre si esse pecado e nos livrar do mesmo. Ele carregou a desonra que havíamos amontoado sobre ele com nosso pecado. Ele morreu para dar a virada nisso. Cristo morreu para a glória de Cristo.
Cristo é único. Ninguém mais consegue agir dessa maneira e chamá-la de amor. Cristo é o único ser humano do universo que também é Deus, portanto, de valor infinito. Ele é de beleza infInita em toda a sua perfeição moral. É infinitamente sábio, justo, bom e forte. "Ele ... é o resplendor da glória e a expressão exata do ... Ser [de Deus], sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder" (Hb 1.3). Vê-Io e conhecê-lo satisfaz mais do que possuir todos os bens da terra.
Aqueles que o conheciam melhor disseram
o seguinte:
"... o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo" (Fp 3.7,8).
"Cristo morreu para que vivêssemos por ele" não significa "para que o ajudássemos". [Deus] "não é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse" (At 17.25). Nem Cristo. "... pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos" (Mc 10.45). Cristo morreu, não para que pudéssemos ajudá-lo, mas para que o pudéssemos ver e prová-lo como de valor infinito. Morreu para nos desmamar dos prazeres venenosos e nos enlevar com os prazeres de sua beleza. Nisso somos amados e ele é honrado. Não são objetivos que competem entre si. São o mesmo.
Jesus disse aos seus discípulos que tinha de ir para que pudesse enviar o Espírito Santo, o Ajudador (Jo 16.7). Passou então a lhes dizer o que o Consolador faria quando viesse: "Ele me glorificará" (Jo 16.14). Cristo morreu e ressurgiu para que o víssemos e o glorificássemos. É essa a maior ajuda que existe no mundo. É amor. A oração mais repleta de amor feita por Jesus foi: "Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória" (Jo 17.24). Foi para isto que Cristo morreu. Isto é amor. Sofrer para nos conceder prazer eterno, ou seja, ele mesmo.
Conclusão
A morte de Cristo é imagem clara de sacrifício, de entrega. Como cristãos que professamos ser, temos de nos lembrar disso constantemente. Morremos com Cristo para o pecado e agora vivemos para ele. A mortificação do pecado deve ser uma constante em nossa vida, assim como o empenho na prática da justiça e na frutificação. Sequer podemos dizer que não somos capazes, pois é o próprio Cristo que nos capacita.
Aplicação
Como as pessoas vêem a mortificação do pecado em suas vidas? Você seria capaz de elaborar um quadro que demonstre quanto você tem frutificado?
Autor. Marcelo Smeets (Adaptação do capítulo 30,31 e 32 do livro A Paixão de Cristo, de John Piper)

Leitura Bíblica indicada

1 Pe 2.20-25
Ele nos deixou exemplo

Rm 6.1-11
Vivos para Deus

Cl 2.1-1 2
Aperfeiçoados nele

Rm 7.1-1 3
Frutificando para Deus

Fp 3.1-14
Considero tudo como perda

2Co 5.1-15
Viver para aquele que morreu
Jo 17.1-26
Para ver a glória de Cristo

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Os Três Ofícios de Cristo

Os Três Ofícios de Cristo
Sl 110; Is 42.1-14; Lc 1.26-28; At 3.17-26; Hb 5.5,6
Uma das grandes contribuições para o entendimento dos cristãos sobre a obra de Cristo é a exposição de João Calvino dos três ofícios de Cristo como Profeta, Sacerdote e Rei (Institutas, II, X). Como Profetas de Deus por excelências, Jesus era tanto o objeto quanto o agente da profecia. Sua pessoa e sua obra são os pontos focais da profecia do Antigo testamento, enquanto ele próprio é um profeta. Nas declarações proféticas do próprio Jesus, o reino de Deus e o seu papel dentro desse Reino vindouro são os temas principais. A atividade principal de um profeta era declarar a Palavra de Deus. Jesus não só declarou a Palavra de Deus, mas ele é a própria Palavra de Deus. Jesus fou o supremo profeta de Deus, sendo a Palavra de Deus na carne.
O profeta do Antigo Testamento era um tipo de mediador entre Deus e o povo de Israel. Ele falava ao povo da parte de Deus. O sacerdote fala com Deus a favor do povo. Jesus desempenhou o papel do grande Sumo Sacerdote. Os sacerdotes do Antigo Testamento ofereciam sacrifícios regularmente, mas Jesus ofereceu um sacrifício de valor eterno, um vez por todas. A oferta de Jesus ao Pai foi sacrifício de si mesmo. Ele era a oferta quanto o ofertante.
Enquanto no Antigo testamento as funções medianeiras de profeta, sacerdotes e rei eram ocupadas separadamente por indivíduos, todas as três funções foram ocupadas supremamente na única pessoa de Jesus. Jesus cumpriu a profecia messiânica do Salmo 110. Ele é o descendente e Senhor de Davi. É o Sacerdote que também é o Rei. O Cordeiro que foi morto é também o Leão de Judá. Para obter plena compreensão da obra de Cristo não devemos vê-lo simplesmente como profeta, ou como sacerdote, ou rei. Todos os três ofícios são perfeitamente desempenhados por ele.
Sumário
1. Jesus é o cumprimento da Profecia do Antigo Testamento e ele próprio é profeta.
2. Jesus era tanto o Sacerdote como o sacrifício. Como Sacerdote, ele se ofereceu como o sacrifício perfeito pelo pecado.
3. Jesus é o ungido Rei de todos os rei e Senhor de todos os senhores.
Autor: R. C. SproulFonte:
1º Caderno Verdades Essenciais da Fé Cristã

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O nome Filho de Deus atribuído a Cristo

O nome Filho de Deus atribuído a Cristo
O nome Filho de Deus, quando é atribuído a Cristo, tem um significado mais profundo que o teocrático: ele não foi um simples rei de Israel que no curso do tempo foi adotado com Filho de Deus, nem tampouco foi ele chamado Filho de Deus por causa do seu nascimento sobrenatural, como os socianianos e Hofman afirmavam; nem é ele Filho de Deus no sentido meramente ético, como outros supõem; nem recebeu o título de Filho de Deus por causa da sua obra expiatória e ressurreição, interpretação que amparam em Jo 10.34-36; At 13.32-33; e Tm 1.4; porém ele é Filho de Deus no sentido metafísico: por natureza e desde a eternidade.
Ele é exaltado muito acima dos anjos e profetas, Mt 13.32; Mt 21.27; 22.2; e mantém uma verdadeira relação especial com Deus, Mt 11.27. Ele é o Filho amado no qual o Pai tem prazer, Mt 3.17; 17.5; Mc 1.11; 9.7; Lc 3.22; 9.35; é o Filho unigênito, Jo 1.18; 3.16; 1 Jo 4.9ss; é o próprio Filho de Deus, Rm 8.32; o Filho eterno, Jo 17.5, 24; Hb 1.5; 5.5; ao qual o Pai concedeu o ter vida em si mesmo, Jo 5.26; igual ao Pai em conhecimento, Mt 11.27; em honra, Jo 5.23; em poder criador e redentor, Jo 1.3, 5.21,27; em coração, Jo 10.30; e em domínio, Mt 11.27; Lc 10.22; 22.29; Jo 16.15; 17.10; e por causa desta filiação ele foi condenado a morte, Jo 10.33; Mt 10.22; Mt 26.63ss.
Autor: Herman Bavinck
Fonte: The Doctrine of God, 2ª ed. Grand Rapids, Michigan, W. M. Eerdmans Publishers, 1995, Vl. I., p. 34Fonte secundária: As Institutas, nota 6, pg. 67, ed. Cep.
Acrescento a pergunta e resposta 33 do Catecismo de Heidelberg (1548) a este estudo.
33. Por que Cristo é chamado "o único Filho de Deus", se nós também somos filhos de Deus?
R. Porque só Cristo é, por natureza, o Filho eterno de Deus(1). Nós, porém, somos filhos adotivos de Deus (2) , pela graça, por causa de Cristo.
(1) Jó 1:14,18; Jo 3:16; Rm 8:32; Hb 1:1,2; 1Jo 4:9. (2) Jo 1:12; Rm 8:15-17; Gl 4:6; Ef 1:5,6.

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A Transfiguração de Cristo

A Transfiguração de Cristo
Como foi a revelada a Glória de Jesus Cristo
"Seis dias depois, tomou Jesus consigo Pedro, Tiago e João e levou-os sós, à parte, a um alto monte. Foi transfigurado diante deles; e as suas vestes tornaram-se resplandecentes e sobremodo brancas, como nenhum lavandeiro na terra as poderia alvejar. Apareceu-lhes Elias com Moisés, e estavam falando com Jesus."Marcos 9.2-4
Registrada em três dos Evangelhos (Mt 17.1-8; Mc 9.2-8; Lc 9.28-36), e evidentemente planejada por Jesus para que Pedro, Tiago e João visem e testificassem (Mt 17.9; cf.2 Pe 1.16-18; Jô 1.14), a Transfiguração foi um evento significativo na revelação da divindade de Jesus. A transformação por que passou o Senhor divino-humano enquanto orava (Lc 9.29) foi de um certo ponto de vista uma prova das coisas que virão: foi uma transição momentânea da glória divina, nele escondida e que marcou seus dias na terra, para a revelação daquela glória que Ele terá quando retornar e que nos permitirá vê-lo como Ele é. Foi também uma transição de condição humana, tal como é em nós agora, para a que será no Dia da Ressurreição (Fp 3.20,21).
A luz resplandecente que emanou de Jesus através de suas vestes, quando seu rosto se transformou (Lc 9.29), era a glória intrínseca a Ele como o Filho divino, “o resplendor da glória de Deus” (Hb 1.3). A voz de dentro da nuvem confirmou a identificação que a visão já havia dado.
A Transfiguração era também um evento significativo na revelação do reino de Deus (isto é, o reino do Messias, o Salvador-Rei profetizado de Deus, em termos do qual o reino de Deus é definido). Moisés e Elias representavam o testemunho da lei e dos profetas a Jesus e sendo por Ele substituídos. A “partida” (em grego êxodos), da qual eles e Jesus falaram (Lc 9.31) deve ter sido a sua morte, ressurreição e ascensão. Este não foi tão-somente um meio de deixar este mundo, mas também um meio de redimir seu povo, tal como o êxodos do Egito, que Moisés liderou, foi a redenção de Israel da escravidão.
Em seguida à Transfiguração. Jesus encobriu sua glória e desceu do monte para ministrar uma vez mais e, no devido tempo, sofrer para nossa salvação. F. B. Meyer comenta: “A porta através da qual Moisés e Elias chegaram permaneceu aberta, e por ela nosso Senhor poderia ter retornado. Mas, se o fizesse, Ele sabia disto, e por isso voltou sua face para o Calvário.”
Autor: J. I. Packer
Fonte: Teologia Concisa, Ed. Cultura Crista.

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Ascensão

Ascensão
Jesus Cristo foi elevado ao Céu
"Aconteceu que, enquanto os abençoava, ia-se retirando deles, sendo elevado para o céu. " Lucas 24.51
A ascensão de Jesus foi um ato de seu Pai ao retirá-lo do olhar fixo de seus discípulos nas alturas (um sinal de exaltação) e envolvê-lo em uma nuvem (um sinal da presença de Deus). Esta não foi uma forma de viagem espacial, mas a segunda parte (sendo a Ressurreição a primeira) do retorno de Jesus das profundezas da morte ao apogeu da glória. Jesus predisse a Ascensão (Jô 6.62; 14.2,12; 16.5,10,17,28; 17.5; 20.17), e Lucas a descreveu (Lu 24.50-53; At 1.6-11). Paulo a celebrou e afirmou o conseqüente senhorio de Cristo (Ef 1.20; 4.8-10; Fp 2.9-11; 1 Tm 3.16), e o escritor de Hebreus aplicou esta verdade para o incitamento dos corações pusilânimes (Hb 1.3; 4.14; 9.24). O fato de ter sido Jesus Cristo entronizado como senhor do universo deve servir de enorme estímulo para todos os crentes.
A Ascensão foi, de um ponto de vista, a restauração da glória que o Filho tinha antes da encarnação; de outro ponto de vista, a glorificação da natureza humana de um modo jamais acontecido antes; e de um terceiro ponto de vista o começo de um reino que nunca havia sido exercido desta forma. A Ascensão estabelece três fatos:
1. A subida pessoal de Cristo. Jesus ascendeu ao lugar de poder, concebido como um trono, à mão direita do Pai. Sentar-se nesse trono, como o grão-vizir da corte persa costumava fazer, é ocupar a posição de governador executivo como representante do monarca (Mt 28.18; Ef 1.20-22; Co 15.27; 1 Pe 3.22).
2. A onipresença espiritual de Cristo. No santuário celestial da Sião celestial (Hb 9.24; 12.22-24), Jesus é acessível a todos os que invocam (Hb 4.14), e Ele é poderoso para ajudá-los, em qualquer parte do mundo (Hb 4.16; 7.25; 13.6-8).
3. Ministério celestial de Cristo. O Senhor reinante intercede por seu povo (Rm 8.34; Hb 7.25). Embora a petição ao Pai seja parte da atividade intercessória (Jo 14.16), a essência da intercessão de Cristo é a intervenção em nosso interesse (desde seu trono), e não súplica em nosso favor (como se sua posição fosse compaixão sem status ou autoridade). Com soberania, Ele agora nos concede profusamente os benefícios que seu sofrimento conquistou para nós. “Ele advoga (em nosso favor) _ por sua presença no trono de seu Pai” (B.F.Wescott). “A vida de nosso Senhor no céu é sua oração” (H.B. Swete). De seu trono ele envia o Espírito Santo constantemente para enriquecer seu povo (At 2.33; Jo 16.7-14) e prepara-o para o serviço (Ef 4.8-12).
Autor: J. I. Packer
Fonte: Teologia Concisa, Ed. Cultura Crista.

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Entronizando

Entronizando
Jesus Reina no Céu
"Depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade nas alturas."Hebreus 1.3
O papel atual de Cristo na glória é comumente mencionado como sua “sessão celestial” . Sessão (do latim sessio) significa “assentada”, ou ato de se reunir. O Novo Testamento refere-se à atividade celestial de Jesus como estar em posição de agir (At 7.26; Ap 1.1-16; 14.1), andando np meio de seu povo (Ap 2.1) e cavalgando para batalha (Ap 19.11-16), mas em geral expressa sua atual autoridade, dizendo que Ele está sentado à mão direita do Pai_ não para descansar, mas para governar. O quadro não é de inatividade, mas de autoridade.
No Salmo 110 Deus coloca o Messias a seu lado direito como rei e sacerdote_ como rei para ter todos os seus inimigos sob seus pés (v.1), e como sacerdote para servir a Deus e canalizar a graça de Deus para sempre (v.4). Embora pessoalmente o Messias possa estar lutando 9vv. 2,3,5-7), sua posição normal é sempre sentado à sua direita de Yahweh. Em Atos 2.34,35, Hebreus 1.13 e 10.12, e Mateus 22.44, esta imagem é aplicada diretamente a Jesus Cristo, que reina ativamente desde a Ascensão no reino medianeiro de Deus.
Cristo governa sobre todas as esferas de autoridade que existem, tanto angelicais como humanas (Mt 28.18; 1Pe 3.22). Seu reino, em um sentido direto, é a igreja, que Ele lidera como seu corpo e governa por sua Palavra e Espírito (Ef 1.22,23). O estado não é a forma do reino de Deus, como era no Velho Testamento: a espada não é usada para impor o reino de Cristo (Jô 18.36), mas Cristo de seu trono usa a autoridade secular para manter a paz civil e a ordem, e ordena a seus discípulos que se submetam a suas regras (Mt 22.21; Rm 13.1-7). Os cristãos sentem-se grandemente confortados, sabendo que Cristo é o Senhor de todos; eles procuram em todas as esferas da vida fazer sua vontade e lembrar-se e a outros de que todos são responsáveis perante Cristo como Juiz, sejam eles governadores ou governados, maridos ou esposas, pais ou filhos empregadores ou empregados. Todos os seres racionais prestarão finalmente contas de seus atos a Cristo como Juiz (Mt 25.31; At 17.31; Rm 2.16; 2 Co 5.10).
A sessão de Cristo continuará até que todos os seus e nossos inimigos, incluindo a morte, sejam reduzidos a nada. A morte, o último inimigo, cessará de ser quando Cristo em sua volta ressuscitar os mortos para o julgamento (Jô 5.28,29). Uma vez executado o julgamento, o trabalho do reino mediador terminará e Cristo triunfantemente entregará seu reino ao Pai (1 Co 15.24-28).
Autor: J. I. Packer
Fonte: Teologia Concisa, Ed. Cultura Crista

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Mestre

Mestre
Jesus Cristo proclamou o Reino e a Família de Deus
"Quando Jesus acabou de proferir estas palavras, estavam as multidões maravilhadas da sua doutrina; porque ele as ensinava como que tem autoridade e não como os escribas." Mateus 7.28,29
Jesus foi Filho de Deus encarnado, e seu ensino, dado a Ele por seu Pai (Jô 7.16-18; 12.49,50), permanecerá para sempre (Mc 13.31), e por fim julgará seus ouvintes (Jô 12.48; Mt 7.24-27). A importância de dar atenção a este ensino não pode, portanto, deixar de ser enfatizada. Jesus ensinou como os rabinos judeus geralmente faziam, aos poucos, em fragmentos, e não por meio de discursos correntes, estando muitos de seus pronunciamentos vitais em parábolas, provérbios e manifestações isoladas, respondendo a perguntas e reagindo a situações.
Todo o seu ensino público foi marcado por autoridade que causou assombro (Mt 7.28,29; Mc 1.27; Jô 7.46), mas alguns de seus ensinos foram expressos de forma enigmática, exigindo reflexão e discernimento espiritual (“ouvidos” , Mt 11.15; 13.9,43; Lc 14.35) e confundindo o ouvinte ocasional e cheio de si. A razão por que Jesus apenas emitiu noções obscuras e parcas a respeito (por exemplo) de seu papel messiânico, expiação, ressurreição e reino vindouro, é dupla: primeiro, de qualquer modo, somente os eventos poderiam tornar claras essas coisas; e segundo, a preocupação de Jesus foi chamar as pessoas ao seu discipulado por meio de seu impacto pessoal sobre elas, e a seguir ensiná-las a respeito dele mesmo no contexto desse relacionamento, em vez de oferecer instrução teológica detalhada ao não comprometido com a fé. Entretanto, as afirmações de Jesus são freqüentemente claras, e as numerosas apresentações ampliadas nas epístolas são melhor lidas como muitas notas de rodapé do qual Jesus disse.
O ensino de Jesus tinha três pontos regulares de referência. O primeiro era seu Pai divino, que o havia enviado e estava agora dirigindo-o (Mt 11.25-27; 16.13-17, 27; 21.37; 26.29,53; Lc 2.49; 22.29; Jo 3.35; 5.18-23,26,27,36,37; 8.26-29; 10.25-30, 36-38), e a quem seus discípulos devem referir-se como seu Pai celestial (Mt 5.43-6.14, 25-33; 7.11). O segundo era o povo, tanto indivíduos como multidões em sua condição de perdidos (Mt 5.43-6.14,25-33; 7.11). O segundo era o povo, tanto indivíduos como multidões em sua condição de perdidos (Mt 9.36; Mc 10.21), os que eram objeto de seus constantes e variados apelos ao arrependimento e a uma nova vida (Mt 4.17; 11.20-24; Mc 1.15; Lc 5.32; 13.3-5; 15.7; 24.47). O terceiro era Ele mesmo, o Filho do Homem, um título messiânico (Mt 16.13-16). “Um como Filho do homem” assume o reino em Daniel 7.13,14. Para confirmarmos o próprio uso feito por Jesus deste título, ver Marcos 8.38; 13.26; 14.62 (fazendo eco a Daniel); Mateus 12.40; Marcos 8.31; 9.31; 10.33,45; 14.21,4; Lucas 18.31-33 (predizendo sua morte e ressurreição); João 3.13-15; 6.27 (declarando seu ministério salvífico).Como decorrência do testemunho de Jesus a seu Pai, às necessidades do povo, e a seu próprio papel, três temas teológicos tomam forma:
1. O reino de Deus. Esta é uma realidade relacional que veio com Jesus como cumprimento do plano de Deus para a história, da qual os profetas do Velho Testamento tinham constantemente falado (Is 2.14; 9.6,7; 11.1-12.6; 42.1-9; 49.1-7; Jr 23.5,6). O reino está presente com Jesus; seus milagres são sinais dele (Mt 11.12; 12.28; Lc 16.16; 17.10,21). O reino torna-se real e crucial na vida de uma pessoa quando ela se submete com fé ao senhorio de Cristo, um significativo compromisso que traz salvação e vida eterna (Mt 10.17-27; Jô 5.24). O reino será pregado e crescerá (Mt 24.14; 13.31-33) até que o Filho do Homem, agora reinando no céu, reapareça para julgamento e, no caso de seus fiéis servos, para alegria (Mt 13.24-43,47-50).
2. A obra salvadora de Jesus. Tendo descido do ceu pela vontade do Pai para resgatar pecadores escolhidos para a glória, Jesus morre por eles, convida-os e atrai para si mesmo, perdoa seus pecados e conserva-os seguros até o dia de sua ressurreição, glorificação e introdução na bem-aventurança do céu (Lc 5.20,23; 7.48; Jô 6.37-40, 44, 45; 10.14-18, 27-29; 12.32; 17.1-26).
3. A ética da família de Deus. A nova vida, que vem aos pecadores como dádiva da livre graça de Deus, deve ser expressa em um novo estilo de vida. Os que vivem pela graça devem praticar a gratidão; os que têm sido intensamente amados devem mostrar em grande amor pelos outros; os que vivem por terem sido perdoados devem perdoar; os que conhecem a Deus como seu amoroso Pai celestial devem aceitar suas providências sem amargor, honrando-o em todo o tempo pela crença em seu cuidado protetor. Em uma palavra, os filhos de Deus devem ser como se Pai e seu Salvador, o que significa ser totalmente distinto do mundo (Mt 5.43-48; 6.12-15; 18.21-35; 20.26-28; 22.35-40).
Autor: J. I. Packer
Fonte: Teologia Concisa, Ed. Cultura Crista.

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Profecias, a Bíblia e Jesus


Profecias, a Bíblia e Jesus
Como você responde a argumentação de alguém de que a Bíblia não é inspirada? Existe algum meio de provar a inspiração ou, ao menos, inteligentemente apresentar evidências sobre a sua inspiração? A resposta é "Sim!" Uma das melhores maneiras de provar a sua inspiração é examinar as profecias. Existem muitos livros religiosos no mundo que dizem muitas coisas boas. Mas, somente a Bíblia está repleta de profecias -- tanto já realizadas, como ainda por realizar. A Bíblia nunca errou no passado, e não errará no futuro. Isto sustenta a sua inspiração por Deus (2 Tm 3:16). Desde que Deus é o criador de todas as coisas (Is 44:24), então ele é também o criador do tempo. Tudo está debaixo do Seu controle. Somente Deus, então, sabe ao certo o que acontecerá no futuro, nosso futuro.Profecias cumpridas são uma forte evidência de que Deus é o autor da Bíblia porque, quando você olha a probabilidade matemática de uma profecia ser totalmente cumprida, você rapidamente vê um projeto, um propósito e uma mão guiando os fatos por trás da Bíblia. Se somente uma profecia houvesse falhado, então nós saberíamos que Deus não é verdadeiramente Deus, por que o criador de todas as coisas, inclusive do tempo, não poderia errar em predizer o futuro. Dt 18:22 diz, "sabe que quando esse profeta falar, em nome do Senhor, e a palavra dele se não cumprir nem suceder, como profetizou, esta é palavra que o Senhor não disse; com soberba a falou o tal profeta". Isaías 46:9-10 diz, "Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade; que eu sou Deus enão há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; e que desde o princípio anuncio o que há de acontecer, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade."Uma abordagem que se pode usar com um incrédulo é abrir no Salmo 22 e ler os verículos 12-18. Esta é uma descrição detalhada da crucificação -- 1000 anos antes de Jesus ter nascido. Depois de ler a seção, pergunte a ele sobre o que esta passagem está falando. Ele dirá: "A crucificação de Jesus." Então, responda algo como: "Você está certo. Esta passagem fala acerca da crucuficação. Mas, foi escrita 1000 anos antes de Jesus nascer. E acima de tudo, a morte por crucificação ainda não havia sido inventada. Como você acha que uma coisa assim poderia ter acontecido?" Depois de uma breve conversa, você pode mostrar a ele (ou ela) algumas outras profecias como: onde o lugar do nascimento de Jesus foi indicado muito tempo antes (Mq 5:2), que Ele nasceria de uma virgem (Is 7:14), que o seu lado seria perfurado (Zc 12:10), etc.

Nasceria da Semente de Mulher
Gn 3:15 , "Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar."
Mt 1:20 , "Enquanto ponderava nestas coisas, eis que lhe apareceu, em sonho, um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo."

Nasceria de uma Virgem
Is 7:14 , "Portanto o Senhor mesmo vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará a luz um filho, e lhe chamará Emanuel."
Mt 1:18, 25 , "O nascimento de Jesus Cristo foi assim: Estando Maria, sua mãe, ... achou-se grávida pelo Espírito Santo, ... contudo não a conheceu, enquanto ela não deu à luz um fiho, a quem pôs o nome de Jesus."

Filho de Deus
Sl 2:7, "Proclamarei o decreto do Senhor: Ele me disse: Tu é meu Filho, eu hoje te gerei."
Mt 3:17, "E eis uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.'"

Semente de Abraão
Gn 22:18 , "nela serão benditas todas as nações da terra: porquanto obedeceste a minha voz."
Mt 1:1, "Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão."

Filho de Isaque
Gn 21:12 , "Disse, porém, Deus a Abraão: Não te pareça isso mal por causa do moço e por causa da tua serva; atende a Sara em tudo o que ela te disser; porque por Isaque será chamada a tua descendência.'"
Lc 3:23-34, "Ora, Jesus tinha cerca de trinta anos ao começar o seu ministério. Era, como se cuidava, filho de José, filho de Heli ... filho de Jacó, Jacó, filho de Isaque, Isaque, filho de Abraão, este filho de Terá, filho de Nacor;"

Casa de Davi
Jr 23:5 , "Eis que vêm dias, diz o Senhor, em que levantarei a Davi um Renovo justo; e, rei que é, reinará, e agirá sabiamente, e executará o juízo e a justiça na terra."
Lc 3:23-31 , "Ora, Jesus tinha cerca de trinta anos ao começar o seu ministério. Era, como se cuidava, filho de José, filho de Heli ... filho de Matata, filho de Natã, filho de Davi,"

Nasceria em Belém
Mq 5:2 "E tu, Belém Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade."
Mt 2:1 , "Tendo Jesus nascido em Belém da judéia, em dias do rei Herodes, eis que vieram uns magos do oriente a Jerusalém."

Ele seria um Profeta
Dt 18:18 , "Suscitar-lhes-ei um profeta do meio dos seus irmãos, semelhante a ti, em cuja boca porei as minhas palavras, e lhes falará tudo o eu lhes ordenar."
Mt 21:11 E as multidões clamavam: "Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galiléia."

Ele seria um Sacerdote
Sl 110:4 , "O Senhor jurou e não se arrependerá: tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque."
Hb 3:1, "Por isso, santos irmãos, que participais da vocação celestial, considerai atentamente o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão, Jesus."Hb 5:5-6, "Assim, também Cristo a si mesmo não se glorificou para se tornar sumo sacerdote, mas aquele que lhe disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei; como em outro lugar também diz: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque."

Ele seria um Rei
Sl 2:6, "Eu, porém constitui o meu Rei sobre o meu santo monte Sião."
Mt 27:37 , "Por cima da sua cabeça puseram escrita a sua acusação: ESTE É JESUS, O REI DOS JUDEUS."

Ele seria Juiz
Is 33:22, "Porque o Senhor é o nosso juiz; o Senhor é o nosso legislador"
Jo 5:30, "Eu nada posso fazer de mim mesmo; na forma porque ouço, julgo. O meu juízo é justo porque não procuro a minha própria vontade, e, sim, a daquele que me enviou."

Ele deveria ser precedido por um Mensageiro
Is 40:3, "Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endiretai no ermo a vereda a nosso Deus."
Mt 3:1-2, "Naqueles dias apareceu João Batista, pregando no deserto da Judéia, e dizia: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus."

Seria rejeitado pelo Seu próprio povo
Is 53:3 , "Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso."
Jo 7:5, "Pois nem mesmo os seus irmãos criam nele."Jo 7:48, "Porventura creu nele alguém dentre as autoridades, ou algum dos fariseus?"

Seu lado seria perfurado
Zc 12:10, "E sobre a casa de davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o espírito de graça e de súplicas; olharão para mim, a quem traspassaram; pranteá-lo-ão como quem pranteia por um unigênito, e chorarão por ele, como se chora amargamente pelo primogênito."
Jo 19:34, "Mas um dos soldados lhe abriu o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água."

Crucificação
Sl 22:1, 11-18, "Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste? ... Não te distancies de mim, porque a tribulação está próxima, e não há quem me acuda. Muitos touros me cercam, fortes touros de Basã me rodeiam. Cães me cercam; uma súcia de malfeitores me rodeia; traspassaram as mãos e os pés. Posso contar todos os meus ossos; eles me estão olhando e encarando em mim. Repartem entre si minhas vestes, e sobre a minha túnica deitam sortes."
Lucas 23:33 , "Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram, bem como aos malfeitores, um à direita, outro à esquerda."João 19:33, "chegando-se, porém, a Jesus, como vissem que já estava morto, não lhe quebraram as pernas."João 19:23-24, "Os soldados, pois, quando crucificaram a Jesus, tomaram-lhe as vestes e fizeram quatro partes, para cada soldado um parte; A túnica , porém, era sem costura, toda tecida de alto a baixo. disseram, pois, uns aos outros: Não a trasguemos, mas lancemos sortes sobre ela pra ver a quem caberá - para se cumprir a Escritura: Repartiram entre si as minhas vestes e sobre a minha túnica lançaram sortes. Assim, pois, o fizeram os soldados."
A Possibilidade Matemática de Jesus Cumprir Todas as Profecias
"A seguintes probabilidades foram calculadas por Peter Stoner em Science Speaks (Moody Press, 1963) que coincidências estão fora da ciência da probabilidade. Stoner diz que usando a moderna ciência da probabilidade em referência a oito profecias, 'nós encontramos que a chance de um único homem ter vivido antes da presente época e ter cumprido plenamente todas as oitos profecias é de 1 em 1017." Isso seria 1 em 100,000,000,000,000,000. Para ajudar a compreender esta estonteante probabilidade, Stoner ilustra isto supondo que "se nós tivéssemos 1017 moedas de 0,50 dólar e então espalhássemos pelo território do Texas cobriríamos toda a face do estado em uma altura de cerca de 70 cm.
Agora marque uma dessas moedas e agite-a junto com toda a massa de moedas sobre todo o estado. Pegue um homem e diga que ele poderá ficar com tudo aquilo, desde que ele diga onde está a moeda marcada e nos mostre ela. Que chance ele teria de acertar na primeira? Esta é a mesma chance que os profetas tinham de escrever oito profecias e elas se cumprirem em um único homem."
Stoner considerou 48 profecias e disse: "nós encontramos que a chance de um único homem cumprir totalmente todas as 48 profecias será de 1 em 10157, ou 1 em
100,000,000,000,000,000,000,000,000,000,000,000,000,000, 000,000,000,000,000,000,000,000,000,000,000,000,000,000,000, 000,000,000,000,000,000,000,000,000,000,000,000,000,000,000,000,000,000,000,000,000,000,000.
O número estimado de elétrons no universo está em torno de 1079. Isto é uma evidência que Jesus não cumpriu as profecias por mero acidente.
Esta informação foi extraída do livro Evidência que Exige um Veredito de Josh McDowell.
Autor: Desconhecido

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